Os Amigos do Alva

E porque um grande rio não se torna grande sem os seus amigos, de seguida apresentam-se alguns dos companheiros do Alva que a determinado ponto a ele se juntam no seu caminho até à foz no Mondego. Aos seus amigos Rio Alvôco, Ribeira de Loriga e Ribeira do Piodão dedicarei, então, algumas linhas.

O Rio Alvôco nasce na Serra da Estrela, em Alvôco da Serra (e desagua no Rio Alva, na Ponte das Três Entradas). Um pouco mais a norte, Loriga vê passar por si a Ribeira de Loriga, afluente do Rio Alvôco. São muitos nomes, mas há que fixar estes dois: Alvôco da Serra e Loriga, duas povoações de montanha com uma daquelas implantações geográficas de tirar o fôlego.

Mas porque de rios se trata este texto, eis a praia fluvial de Loriga. No vale glaciar de Loriga, o enquadramento é grandioso e perfeito, com a montanha acidentada nas costas. Várias piscinas de água cristalina se formam ao redor de rochas esbeltas. Não é preciso um dia de frio para que as águas sejam gélidas, mas o cenário vale qualquer tiritar.

Antes da Vide (onde pouco antes a Ribeira de Loriga se encontra com o Rio Alvôco), no lugar da Barriosa fica um dos pedaços mais épicos do Rio Alvôco: o Poço da Broca. É uma sucessão incrível de cascatas que caem de uma falha na terra. Acima das cascatas o rio corre sereno e abaixo delas forma-se um largo lago onde se pode nadar tranquilamente, apenas com a perturbação do som da água a jorrar. Vale a pena uma curta caminhada até ao topo da cascata, em ambiente serrano e agrícola, e uma refeição no restaurante rústico Guarda-Rios.

Em Alvôco das Várzeas fica à praia fluvial de mesmo nome. Aqui o cenário vem acompanhado da mesma enorme natureza mas acrescentado por uma formosa ponte romana. Como não gostar de rios quando se tem estes lugares à disposição.

Para agravar, de volta à estrada aparecem-nos estas paisagens majestáticas.

Um aparte: a infelicidade pode trazer postais felizes. Os fogos de Outubro de 2010 mudaram em muito a paisagem por aqui. Montes e vales despidos, a cada dia o novo cenário foi sendo transformado pela força regeneradora da natureza. Mas isso deixou também à vista lugares antes escondidos pela intensa vegetação.

Por exemplo, Parente e a Moenda ficaram visíveis da estrada, acessíveis ao olhar de qualquer viajante. Como curiosidade, diga-se que lugares de nome Moenda abundam na região, remetendo para os tempos em que os lagares e os moinhos ainda laboravam à beira rio.

Por fim, Foz de Égua, o lugar onde a Ribeira do Piodão se encontra com a Ribeira de Chãs para, juntas, seguirem até à Vide e abraçarem o Rio Alvôco. Foz de Égua é hoje uma das praias fluviais mais desejadas do país. O cenário perfeito repete-se, mas agora à paisagem natural misturam-se as casas de xisto e telhados de lousa feitas pelo Homem. Não será o lugar mais ideal para uns mergulhos na maior parte do ano, uma vez que o caudal do rio não é muito forte e quase sempre a água não passa dos joelhos, mas este é provavelmente um dos lugares com rio mais magníficos para se ver e estar.

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