Sighisoara

Sighisoara é uma daquelas povoações que vem em todas as listas das mais bonitas aldeias, vilas e cidades da Roménia. Não há que desconfiar, a unanimidade é merecida. O charme e romantismo medieval da Transilvânia está cá todo, com o bónus de vir acompanhado de um argumento decisivo para muitos: foi aqui que Vlad Tepes nasceu. E o turismo mais comercial aproveita estes dois factos, mas como estamos na Roménia nada é de massas.

Foi muito antes do mito de Vlad, o Empalador e da ficção do Conde Drácula que Sighisoara foi fundada pelos saxões, uma das sete cidades iniciais criadas por estes colonos alemães no século XII. A cidade foi entretanto crescendo para além dos muros da sua fortificação, sendo hoje como que duas, mas o seu centro histórico continua preservado e um mimo. É este pedaço que está distinguido pela Unesco e é este que mais nos encanta.

A cidadela de Sighisoara está instalada num terreno altaneiro. Cá em baixo, junto ao rio, percebemos que é feita mais de torres do que de muralhas. Eram 14 as suas torres e 5 os seus bastiões. Hoje restam 9 e 2, respectivamente.

Subimos por qualquer um dos lados da cidade e entramos por uma das torres que servem de portas. Logo pisamos a pedra das suas ruas estreitas e irregulares com casas coloridas de ambos os lados, quase um arco-íris.

Muitas destas casas pertenciam aos antigos mercadores da então cidade medieval. Situada nas rotas comerciais da Europa Central, a Sighisoara de então era uma das mais importantes cidades da Transilvânia e para aqui vinham artesãos de todo o lado. Pensa-se que entre os séculos XVI e XVII eram cerca de 15 as guildas e 20 as lojas de bens diversos. Hoje grande parte destes edifícios foram transformados em cafés, restaurantes e lojas de souvenirs. Quando na praça principal da cidadela é fácil sentirmo-nos transportados para essa época.

O charme de Sighisoara está em caminhar pelas ruas e admirar as suas torres. Uma das mais famosas é a Torre do Relógio (atente-se aos seus bonecos em madeira), do século XIV, a antiga entrada principal da cidade onde está hoje instalado um museu. Mas a ela subimos sobretudo pelas vistas fantásticas que do seu topo se alcançam.

A envolvente de Sighisoara é floresta e esta foi tomada pelo edificado que daqui de cima mais não se vê do que telhados ocres sobre telhados ocres, numa harmonia perfeita com a natureza.

Imediatamente abaixo é o recorte da pitoresca e colorida praça principal que se destaca na perfeição.

E da Torre do Relógio percebe-se ainda que a cidadela se expande monte acima, com as torres da Igreja no Monte a dominarem o cenário. Para se chegar aqui desde o centro histórico há que subir os 176 degraus da escadaria de madeira coberta.

A saída deste túnel escuro deixa-nos naquilo que é uma espécie de terceiro patamar da cidade e oferece-nos o verde da floresta protegida pelos muros fortificados. A fortificação da cidadela, muros e torres, já se sabe, tinha como objectivo guardá-la dos ataques turcos. Turcos que, sabe-se igualmente, terão sido as maiores vítimas de Vlad Tepes, o Empalador.

Junto à igreja dos dominicanos a cidade faz questão de lembrar o seu filho mais conhecido, num busto tão assustador como as histórias que dele se contam. Não deixa de ser, no entanto, irónico que tal personagem tenha vindo ao mundo precisamente num ambiente tão bonito.

Um pensamento sobre “Sighisoara

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