Brasov

Brasov é uma das cidades mais amadas e visitadas pelos romenos. Carismática e bela, é a sua implantação geográfica que primeiro seduz, rodeada das montanhas pejadas de floresta. Foi neste cenário que os saxões resolveram instalar uma das suas primeiras cidades quando no século XII vieram ocupar a Transilvânia, embora o lugar já tivesse tido ocupação desde o Neolítico. Nessa época ainda não havia por perto o Castelo de Bran nem o Castelo de Peles, nem se caminhava por prazer pelo ar da serra nas montanhas Bucegi. Estes são alguns dos atractivos que tornam inevitável uma passagem por Brasov. Mas acontece que a própria cidade obriga a que nela se fique sem pressas, mergulhando nas suas ruas para admirar os edifícios e igrejas de arquitectura gótica, barroca e renascentista e os bastiões que nos recordam ter sido esta uma cidade-fortaleza medieval.

Cheguei a Brasov ao fim do dia, ainda a tempo de assistir ao por do sol desde a Cidadela, parte do sistema de fortificação exterior e instalado num monte sobranceiro ao centro histórico com vistas amplas e privilegiadas para a tal implantação geográfica de luxo da cidade. Nessa noite ainda deu para sentir o pulso e atmosfera da cidade, com ruas cheias de cafés e restaurantes e animada pelos muitos visitantes.

No dia seguinte, manhã cedo, tinha a cidade quase só para mim e parti a explorar o seu centro histórico. A povoação é cénica, com um ar medieval burguês, quase altivo até. E essa postura virá dos tempos antigos, daqueles em que Brasov estava na intersecção das rotas que ligavam o Império Otomano à Europa Ocidental, o que fez com que os mercadores saxões enriquecessem e ganhassem influência política na região. Daí o seu então nome germânico, Kronstadt, ou seja, “cidade da coroa”. E daí, também, a necessidade de a proteger através de um sistema defensivo de fortificações, com muitas torres, muros e portas, construído sobretudo durante os séculos XV e XVII.

Parte desse sistema está ainda preservado e pela Rua Dupa Ziduri, literalmente “para além dos muros”, conseguimos juntar ao ambiente medieval umas pitadas de bucolismo, caminhando à beira de um fio de água de um ribeiro e sob as frondosas copas das árvores de passagem pela Torre Branca e pela Torre Negra. Delas obtemos boas panorâmicas do centro histórico, com o enorme corpo da Igreja Negra em destaque, e da montanha de Tampa, com o letreiro “Brasov” ao estilo Hollywood por entre os caracóis da vegetação.

Contornada a cidade pelo seu lado ocidental, é agora o momento de entrar por uma das suas portas sul, a bela Porta Catarina ou a Porta Schei.

A palaciana Porta Catarina foi construída em 1559 e era então a principal entrada, sendo a única das portas originais da cidade medieval que ainda resiste.

Já a Porta Schei foi construída em 1827 em estilo neoclássico e era a única que os habitantes do bairro de mesmo nome estavam autorizados a usar para entrar no centro histórico. Era no bairro Schei que viviam os romenos, proibidos pelos saxões de terem propriedades no interior da cidadela, e para a ela acederem não só tinham horários definidos como tinham de pagar portagem. Agora os tempos são outros e podemos livremente caminhar por qualquer rua de Brasov. Incluindo por aquela que é conhecida como uma das ruas mais estreitas da Europa, a Strada Sforii, com uma largura entre 1,1 e 1,3 metros. Originalmente uma passagem entre ruas para os bombeiros, hoje foi transformada num lugar onde os artistas de rua intervêm na pintura das janelas nas fachadas dos edifícios que a sustentam e onde o visitante comum pode deixar o seu apontamento.

Chegamos, enfim, ao coração do centro histórico de Brasov, onde estão a Igreja Negra e a Praça da Câmara.

A Igreja Negra, do século XIV, é a maior igreja gótica da Roménia – aliás, o maior edifício religioso entre Viena e Istambul – e deve o seu nome não ao facto de ser escura – não o é – mas sim a um grande fogo que a atingiu em 1689 e que fez com que as chamas e fumo escurecessem então a sua fachada.

A Praça da Câmara deve ser bonita. E digo deve porque à minha visita estava vedada – o acesso e a vista – para preparação de algum evento. Este é um daqueles factos que me impedirá de ter Brasov para sempre como cidade preferida na Roménia, sentindo que não a conheci na sua plenitude. Mas, enfim, está sempre a acontecer chegar a um lugar e vê-lo entaipado para restauro ou para qualquer outra actividade, restando-nos a expectativa de que um dia voltaremos para completar o serviço.

De qualquer forma, deu para perceber que a Piata Sfatului, o seu nome romeno, é não apenas bonita como está acompanhada de belos edifícios com pormenores deliciosos, ou não constituísse a praça do mercado dos bem instalados saxões.

Continuo, em seguida, a caminhar pelas ruas de Brasov em direcção a montanha de Tampa, sem deixar de admirar a forma dos seus elegantes edifícios.

Passamos mais umas estruturas defensivas, muros e bastiões, e agora é a natureza a grande protagonista. Para se alcançar o topo de Tampa podemos fazê-lo a pé (cerca de uma hora) ou através do teleférico. Mesmo chegando ao cimo de teleférico ainda teremos de caminhar por uns 5 minutos totalmente envolvidos na floresta para alcançarmos o letreiro “Brasov” que já se tinha avistado ao longe: é aqui, a 960 metros de altitude, que todos queremos estar para levantar o prémio da panorâmica mais fabulosa sobre a cidade, o infinito e mais além.

Um pensamento sobre “Brasov

  1. Pingback: Brasov — Andes Sem Parar | cristinalpf

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