Castelo de Bran

No post anterior acabámos a admirar o panorama desde o topo do monte de Tampa. Mas Tampa, já se sabe, não é o único monte em terra de montanhas. Os Cárpatos estendem-se longe e reproduzem-se em elevações, cada uma mais bonita do que a outra.

O destino é agora a povoação de Bran, a 30 kms de Brasov. Pelo meio da viagem passamos por Rasnov e a experiência em Bran haveria de fazer com que lamentasse não ter deixado tempo para a sua fortificação.

Bran, então. Bram Stoker criou o personagem ficcional Conde Drácula em 1897 e fez situar a sua história na Transilvânia. Desde aí, como se de uma bolinha de neve se tratasse, muitas ligações da obra a Vlad, o príncipe da Wallachia, foram tentadas, sem que haja qualquer realidade nos esforços para fazer coincidir o personagem de Stoker com Vlad ou sequer com Bran e o seu castelo. Já se disse aqui, apesar de Vlad ter nascido na Transilvânia (Sighisoara), o real castelo de Vlad não está sequer nesta região, antes na Wallachia, em Poienari, o tal encerrado pela colónia de ursos que presentemente ocupa as suas imediações. Vlad era efectivamente conhecido como dracul mas essa palavra em romeno significa “filho do dragão”. Ainda assim, a cultura popular gosta de lendas e insiste em encontrar nelas um elo com o real. Vai daí, o Castelo de Bran foi o único lugar pejado de turistas que encontrei na minha viagem pela Roménia, mas de tal forma que se tornava insuportável percorrer as salas do castelo sem encontrões. Veredicto final: não gostei.

Foram os Cavaleiros Teutónicos quem em 1212 construíram a primeira fortaleza num castro em Bran. Os saxões chegaram século e meio depois e tomaram o controlo da fortaleza, dando-lhe a forma actual, para a utilizarem como protecção da rota comercial até Brasov, procurando controlar e evitar os tártaros e os otomanos. Tendo a protecção da fortaleza deixado entretanto de ser uma prioridade, esses saxões acabaram por abandonar a aldeia no século XVII, sendo então o local ocupado por pastores vindos de Brasov. Esta breve história da povoação e seu castelo fecha com a doação efectuada à Rainha Maria da Roménia em 1920, tendo a família real aqui residido até 1947. Tornado museu, nos últimos anos a história passa a folclore, com muitas bancas de souvenirs, todas com alusões a Drácula, a terem de ser superadas para se chegar aos jardins que nos deixam face a face com o promontório onde o Castelo de Bran está instalado.

Pese embora todo o descrito, o lugar é lindíssimo e o castelo idem.

Realce para as suas torres e telhado vermelho, caindo em vários níveis e direcções, resultando num efeito visual delicioso, pormenores acrescentados já no século XIX. Em estilo gótico, o seu interior teria piada de ser percorrido – não fosse a companhia de magotes. São inúmeras salas pequeninas com chão de madeira, zigzagueando de forma aleatória, ideais para nos perdermos, todas elas decoradas com o mobiliário da família real. E, depois, quando alcançamos uma janela e a vista fica desimpedida, reconciliamo-nos com a história, o folclore e a realidade e agradecemos por, ainda assim, termos vindo até ao “Castelo do Drácula” e podermos admirar aquelas montanhas.

Um pensamento sobre “Castelo de Bran

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