Séries e Documentários para a Quarentena

Como a muitos outros, também a mim me tocou uma pausa forçada no trabalho, permanecendo em casa para, em conjunto com milhões, combater a Pandemia Covid-19. As viagens limitam-se agora ao sofá, na companhia de muitas leituras e séries. E esta é a melhor era para ter tudo ao alcance da vista e da mão. Já tinha(mos) o RTP Play, mas agora assinei a Netflix por um mês, gratuitamente. Se a situação continuar por muito mais tempo, temos ainda disponíveis a HBO e a Amazon Prime nos mesmos moldes. O difícil será dar vazão a tanta informação. Em seguida, alguns documentários e séries que já valia a pena conhecer, mas que com o isolamento em casa se tornam obrigatórios.

Mar, a Última Fronteira – Disponível no RTP Play, este documentário em 6 episódios dá-nos a conhecer o nosso país de uma forma incrível totalmente nova e acessível in loco apenas a muito poucos. Os mergulhadores e cineastas marinhos saem rumo às águas portuguesas nas suas expedições, filmando Portugal de norte a sul, incluindo os arquipélagos dos Açores e da Madeira e até o Banco Gorringe, a maior montanha submarina da Europa, algures no Atlântico português. Não esquecer que 97% de Portugal é mar. No continente visitamos os cavalos-marinhos da Ria Formosa, os tubarões-azuis de Sesimbra e os tubarões pata-roxa de Cascais, terminando em mais um mergulho no que resta de um submarino alemão da II GGM em Matosinhos. O intenso azul do fundo do oceano nos Açores é, no entanto, a imagem que mais fortemente guardo na minha memória, mais do que a sua belíssima fauna marítima. Aprendemos a reconhecer uma série de espécies marinhas para além das mais “óbvias” baleias e tubarões, como as jamantas de Santa Maria, os meros do Corvo, o “malvado” peixe-porco que bicou a cabeça do cineasta subaquático Nuno Sá, os lírios e tantos mais tão belos em paisagens brutais, todos eles testemunhos da riqueza e biodiversidade das águas portuguesas.

Tales by Light – Esta série iniciada em 2015 é uma parceria da National Geographic com a Canon e tem todas as 3 temporadas disponíveis na Netflix. Em cada episódio somos guiados por um fotógrafo num périplo por um ou mais cantos do mundo onde nos mostram e contam o seu muito pessoal ponto de vista. Estes artistas vão a todas, desde o fundo do mar ao topo da montanha, fotografando desde animais no seu mundo natural a humanos em celebração das suas tradições. As imagens são fabulosas e as histórias inspiradoras.

O Nosso Planeta – Esta série documental da Netflix foi estreada em 2019 e conta com a narração de Sir David Attenborough, o historiador da natureza britânico. Esta mega-produção é belíssima. Propõe-se a celebrar as maravilhas da natureza que chegaram aos nossos dias e alerta-nos que temos de fazer mais para as preservar. O primeiro episódio mostra-nos o nosso planeta em geral, iniciando com uma “cabala” entre as aves marinhas e os golfinhos para apanhar um cardume de cavalas. Dificilmente esquecerei a graciosa cena do flamingo a correr. Ou da anunciada violência dos mabecos (cães) face aos gnus (bois) na savana africana, mais tarde reproduzida pelos lobos face aos caribus na floresta boreal. Ou da tocante dança dos multicoloridos pássaros como cortejo a uma fêmea. Ou do aviso: os ursos polares estão a deixar de ter focas para comer, uma vez que o gelo marinho onde elas costumavam parar está a desaparecer. A mensagem é clara: a estabilidade da vida do nosso planeta está em causa. Tudo isto apenas no primeiro episódio. Os restantes 7 episódios de “Nosso Planeta” exploram os habitats mais importantes e celebram a vida que eles ainda sustentam.

Sex and Love Around the World – Nas nossas viagens visitamos os locais e voltamos para casa sem realmente conhecermos grande parte da vida do dia-a-dia de quem nos cruzámos, quanto mais a sua intimidade. Neste documentário, Christiane Amanpour, jornalista e apresentadora da CNN, ajuda-nos a perceber um pouco dessa intimidade em cidades como Tóquio, Deli, Beirute, Berlim, Accra e Xangai. E à sua boleia caminhamos pelas ruas e adentramos nas casas de mulheres e homens, jovens ou menos jovens, ficando a perceber mais acerca das culturas e tradições de cada um e da diversidade do nosso mundo sob um ponto de visto raramente abordado e explorado. Por exemplo, sabia que os casais japoneses raramente se abraçam e não têm por hábito beijar-se sequer em privado?

Chef’s Table – Original da Netflix, estreado em 2015, vai já na sua 6ª temporada e é uma das séries de comida mais aclamadas. Comida é o pretexto para se mostrar a beleza. A beleza dos ingredientes que hão de resultar num prato, sim, mas sobretudo a beleza de tudo o que os rodeia, desde a sua origem, o seu processo de transformação nas mãos de verdadeiros artistas até ao produto final – neste caso uma bonita história contada em cada um dos episódios. Histórias de chefs originais – os mais talentosos da cozinha mundial e outros que aspiram a sê-lo – que com imaginação e perseverança têm feito com que a comida seja hoje considerada uma arte. Arte mostrada com arte por este Chef’s Table.

Street Food Ásia – Dos mesmos autores de Chef’s Table, esta é também uma série da Netflix, estreada em 2019, com 9 episódios (Banguecoque, Osaka, Deli, Yogyakarta, Chiayi, Seoul, Ho Chi Minh, Singapura e Cebu). A comida de rua está na moda, todos a queremos provar. O que não sabemos são as histórias por trás da criação das deliciosas iguarias, muitas vezes simples e humildes como a vida dos seus autores. Ou seja, são também histórias de superação que nos são contadas à boleia da imagem das bancas de rua de cidades vividas e coloridas e alguns dos episódios até puxam à lágrima. Mas o que fica é a vontade de saborear aqueles pitéus tão estranhos e diversos.

Turismo Macabro – Esta é uma série cuja existência e pertinência tem sido questionada, com via aberta para as discussões do politicamente correcto e da moral e da ética. Mas podemos sempre decidir não assisti-la. Iniciei o primeiro episódio, dedicado ao turismo macabro na América Latina, e pretendo continuar a assistir aos restantes 7 episódios. Isto mesmo tendo passado por Medellin, a cidade colombiana onde Pablo Escobar nasceu e viveu deixando como legado uma violência sem limites e o narcoturismo – representado neste primeiro episódio -, dizia, mesmo tendo passado por Medellin e não tendo tido a mínima vontade de visitar qualquer local ligado à El Patron. Mais, tendo achado este tipo de turismo um disparate e de profundo mau gosto. A série Turismo Macabro baseia-se, precisamente, numa ideia de muito mau gosto, a de procurar visitar de um ponto de vista turístico locais malditos e permitir aventuras onde tantos sofreram (e sofrem) e morreram (e morrem) na vida real. David Farrier, o jornalista da Nova Zelândia protagonista desta série da Netflix, assume ser um ávido admirador deste género e avisa logo de início que esta série contém mais de 80% de morte na sua busca incondicional pelo louco, macabro e mórbido. É bizarro e estúpido, mas há que assistir para tirar as nossas conclusões acerca de um nicho do mercado de turismo que está aí um pouco por toda a parte.

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