David Gareja

De Tbilisi saímos rumo ao Azerbaijão, com uma paragem em David Gareja pelo caminho, um conjunto monástico de casas nas rochas.

A estrada à saída de Tbilisi não é má, é até uma espécie de autoestrada por alguns quilómetros como ainda não tínhamos visto até aí. Mas as vacas, já nossas conhecidas, mantém-se por perto.

Atravessamos parte da província de Kakheti, a mais antiga região do mundo onde se produz vinho, tendo sido encontradas evidências que levam a datar a produção do vinho na Geórgia até há 8000 anos.

Até que fazemos um desvio à estrada principal em direcção a David Gareja e voltamos às distâncias curtas percorridas em tempos longos. A estrada pode ser uma lástima, mas a paisagem volta a ser uma beleza. Parece que para alcançarmos os locais mais bonitos no Cáucaso temos sempre de ter como contrapartida o desconforto físico na viagem. Nada é de graça. Mas vale bem o preço.

A paisagem vai variando entre os mantos verdes rasteiros e a aridez desértica. Chega a fazer crer que estamos na lua.

David Gareja é um conjunto de mais de uma dezena de mosteiros dispersos por uma área muito longa que se estende até ao Azerbaijão. Os dois mosteiros mais acessíveis, o Lavra e o Udabno, ficam em território da Geórgia, mas caminhando entre eles colocamos inevitavelmente pelo menos um dos pés no Azerbaijão. A fronteira não está rigidamente delimitada, vendo-se apenas uns pequenos pilares.

Fundado no século VI por David Gareja e outros padres sírios missionários vindos da Mesopotâmia com o objectivo de propagarem a fé cristã pela Geórgia, a maioria das estruturas monásticas foram vítimas ao longo dos séculos da destruição por parte dos mongóis, de Timur e dos soviéticos. Há muito que foram abandonadas. Mas permanecem como um dos sítios históricos mais incríveis do país.

Ao mosteiro Lavra acede-se logo à entrada do complexo. Decorrem obras de restauro, mas podemos visitar a sua igreja, o seu pátio com romãs e apreciar a arquitectura do lugar, mais concretamente as covas cravadas na rocha que serviam de celas aos monges.

Para conhecer Udabno temos de subir a encosta, o que não é de todo fácil pelo piso escorregadio e pelo calor. É a tal subida que nos leva ao Azerbaijão, embora não exista aqui fronteira oficial, pelo que não podemos passar de um país para o outro neste local (na verdade temos de o fazer muitos quilómetros de estrada e horas de tempo longe dali). Veem-se os polícias de fronteira armados. Intimida, mas depois percebemos que eles são capazes de pousar as armas para beber um gole de água como nós.

Udabno é a cidade das cavernas que buscávamos. São várias covas na montanha, um lugar remoto e inóspito pela aridez. Mas essas grutas possuem um rico património no seu interior. Os seus belos frescos chegaram até aos nossos tempos com integridade suficiente para os podermos apreciar. Os mais antigos são datados do século IX, mas a maioria são dos séculos XI a XIII e reflectem bem a grandeza da escola de frescos que aqui floresceu em tempos.

Deixamos David Gareja e preparamo-nos para deixar a Geórgia. O português mais conhecido aqui, ao contrário de na velha Arménia, não é Luís Figo. É Cristiano Ronaldo. Por uma vez sinto orgulho por Portugal ser conhecido por este mundo fora pelos seus futebolistas. E apesar de termos conhecido muitos georgianos simpáticos pela viagem não resisto a chegar ao fim destes textos sobre a Geórgia sem informar que a Geórgia é o país onde nasceu o Zé dos Bigodes, o infame camarada Estaline. Sorte a nossa que temos o Cristiano.

Kazbegi

Svaneti pode ser a região mais bonita da Geórgia, mas é de Kazgebi a imagem mais conhecida na divulgação do país.

Mais acessível, a duas horas de Tbilisi, o que permite uma visita de um dia, ao contrário de Svaneti Kazbegi está longe de ser um lugar remoto. Não deixa, no entanto, de ser também um lugar mágico.

Saindo de Tbilisi seguimos pela Estrada Militar Georgiana, construída pelos russos após tomarem a Geórgia em 1801.

Chekhov escreveu no seu tempo “sobrevivi à Estrada Militar Georgiana. Não é uma estrada, é poesia”. A estrada leva-nos por mais paisagens montanhosas lindíssimas, sobretudo aqueles tapetes verdes que tanto me encantaram também em Svaneti.

Bem antes de chegar a Kazbegi fizemos uma paragem no Forte de Annanuri. A sua localização é mais uma daquelas superlativas. Com a água da barragem Zhinvali como companhia, este complexo de uma fortaleza e duas igrejas é um exemplo da arquitectura clássica georgiana. Do alto de uma das torres da fortaleza obtém-se uma vista fantástica. E a igreja encanta pelo trabalho escultórico nas suas fachadas, uma cruz e umas árvores absolutamente lindas.

Rumando a norte em direcção a Kazbegi, levamos o território separatista da Ossétia do Sul no nosso lado esquerdo, mas a paisagem é sereníssima.

Kazbegi, agora conhecida por Stepantsminda, é uma vila num vale cuja fama vem sobretudo das vistas soberbas para a solitária igreja Tsminda Sameba (Gergeti) bem lá no alto já próximo do Monte Kazbek.

E é ainda a terra natal de Alexander Kazbegi, filho de gente abastada que foi estudar para Tbilisi, São Petersburgo e Moscovo, mas que decidiu voltar à sua terra e tornar-se pastor para estar mais próximo das suas raízes e das vidas das gentes locais ao mesmo tempo que escrevia. A casa onde nasceu e onde jaz no jardim é hoje um museu.

Do centro de Kazbegi podemos ascender a caminhar até ao monte onde reina imponente a igreja Gergeti. Mas por falta de tempo e de pernas seguimos num 4×4. Situada a 2200 metros de altitude, a igreja do século XIV não é superior a outras que havíamos visto. O que faz a diferença para que seja considerada um símbolo da Geórgia é a sua implantação. As enormes paredes montanhosas que a rodeiam são verdadeiramente impressionantes. Dramático é o adjectivo que melhor descreve o cenário.

São umas montanhas a seguir a outras, montanhas rugosas e escarpadas, com picos afiados. Boris Pastenak comparou esta região a uma cama amarrotada.

Uma destas montanhas, aquela que se vê nas costas da igreja Gergeti quando observada desde a vila, é o Monte Kazbek, o segundo maior da Geórgia e o quinto maior da Europa, com 5047 metros, mesmo na fronteira com a Rússia. Não bastasse a imponência do panorama, este vulcão extinto está associado a algumas lendas. Conta-se, por exemplo que Promoteu, o titã da mitologia grega, foi aqui preso por roubar fogo dos deuses. Não custa a crer que esta região do Cáucaso tenha sido habitada por seres superiores.

Svaneti

Na estação de comboios de Tbilisi vários nos perguntaram se seguiríamos para Batumi. Batumi é um dos maiores resorts do Mar Negro, a concorrida riviera dos tempos soviéticos e ainda hoje o maior destino turístico da Geórgia. Mas não, não seguiríamos para a praia. Iríamos antes para as montanhas de Svaneti, a nossa Geórgia idealizada.

Para chegar a Mestia, a principal povoação de Svaneti, tivemos de viajar no comboio nocturno Tbilisi – Zugdidi e daí apanhar uma marshutka que em 4 longas horas nos deixou finalmente no destino. As deslocações por estes lados levam tempo, mesmo se as distâncias não são tão grandes assim.

A estrada que sai de Zugdidi rumo a norte faz-nos passar bem junto à Abecásia. O conflito entre esta província separatista e a Geórgia, decorrido em 1992-93, deixou marcas e uma delas foi o êxodo dos seus habitantes para Zugdidi. Mas no caminho não se veem homenagens aos mortos desta guerra, antes se veem memoriais levantados aos georgianos que caíram na II Grande Guerra Mundial 1941-45. O ambiente não é pesado, porém. À beira da estrada encontramos velhinhos à conversa sentados em cadeirinhas de madeira. E a paisagem vai-se apresentando. As montanhas vão crescendo, ao nosso lado repousa uma barragem de cor indefinida entre o azul e o verde que, mais adiante, dá lugar a um rio estreito que corre rebelde procurando furar as pedras que lhe aparecem no caminho. Pelo meio, muitas quedas de água.

Chegámos a Mestia sob uma chuva intensa, bom pretexto para ficarmos a descansar na nossa casa de hóspedes. O tempo nesta região é conhecido por ser temperamental, daí que o voo que liga Tbilisi a Mestia no verão descole e aterre quando calhe, não sendo pois muito fiável – daí a nossa opção pelo comboio + marshutka. Mas, felizmente, o tempo foi mudando a nosso favor e pudemos explorar a região como planeado.

Svaneti possui alguns dos maiores picos da Europa, como o Chkhara – terceiro maior da Europa e o maior da Geórgia, com 5201 metros – e o Ushba – 4690 metros. O Monte Elbrus, no Cáucaso da Rússia não muito longe daqui, é mesmo a maior montanha da Europa, com 5642 metros.

Poderia parafrasear John Muir, um dos pioneiros do movimento pela conservação da natureza: “As montanhas estão a chamar e eu tenho de ir”. Ou ser levada a experimentar a sentença do poeta William Blake: “Grandes coisas são feitas quando o Homem e as montanhas se encontram”. A relação entre as montanhas e a criatividade é conhecida, sendo elas uma inspiração para poetas, pintores, músicos, filósofos, enfim, todos os seres humanos. Mas, na verdade, era apenas a busca de um cenário superior que me movia, aquele que faz a Geórgia ser considerado um dos países mais bonitos do mundo.

Svaneti é o coração profundo da Geórgia e o guardião dos seus valores e tradições. Parte do Grande Cáucaso, situado no limite norte da fronteira com a Rússia, este é um lugar remoto, cheio de paisagens de tirar o fôlego, montanhas nevadas, vales verdejantes e aldeias pitorescas. Tão remoto que nunca chegou a ser conquistado por povos estrangeiros e os invasores nem ousavam chegar perto.

Já no século I a.C. Estrabão se referia aos soanes reconhecendo-os como os melhores em coragem e poder. Os soanes do historiador e geógrafo grego eram os svans, os habitantes de Svaneti, e estes possuem ainda hoje uma forte identidade cultural, bem como a sua própria linguagem e religião, um cristianismo que incorpora ritos pagãos.

E os svans possuem ainda algo que os distingue de todos os outros. Montanhas nevadas e vales verdejantes muitos os têm, basta a Natureza assim o decidir. Mas aldeias pitorescas graças à parceria entre a Natureza e o engenho arquitectónico só os svans as têm. A Svaneti superior, no vale do rio Enguri, por onde andámos, é conhecida pelas suas típicas torres medievais.

As koshi são torres defensivas de pedra e a sua antiguidade não está ainda datada com certeza. A maioria das que chegaram aos nossos tempos datarão do século XII – XIII, mas segundo a Unesco a sua origem remontará a tempos pré-históricos. Simples mas elegantes, normalmente são construídas em xisto e possuem 20 a 30 metros de altura correspondentes a 4 ou 5 andares. A entrada encontramo-la no segundo andar da torre, acessível por uma escada que é colocada ou retirada desde o seu interior, para impedir o acesso a indesejáveis. Testemunhos da dureza deste território montanhoso isolado, as torres de Svaneti serviam ao mesmo tempo de lar, celeiro e abrigo. Abrigo do mau tempo, dos invasores ou das disputas entre famílias locais. Como os svans estavam divididos em clãs sem uma organização comum superior, o que reflete bem o seu espírito de liberdade, cada um dependia de si. Assim, cada um deles tinha a sua própria casa fortificada, ao invés de uma fortificação mais alargada a um grupo de casas.

Estas torres defensivas abundam em Mestia e Ushguli, as duas povoações mais pitorescas, mas também pelo caminho entre elas. A região é óptima para se fazer diversas caminhadas e o trek de 4 dias entre Mestia e Ushguli está extremamente bem cotado. Sem férias infinitas, optámos por ligar as duas povoações de carro e fazer umas caminhadas junto a elas.

Começando por Mestia. Esta é, na verdade, um conjunto de uns 10 lugarejos. A praça central dispõe de transportes, serviços públicos, um jardim, mini-mercados e restaurantes. E uma bonita estátua da muito amada Rainha Tamar, aquela que governou a Geórgia durante a sua época dourada, entre os séculos XII e XIII.

Para além de caminhar pelo verde com vista para os rios Mulkhra e Mestiachala por entre as torres, cães e vacas – sim, descobrimos que não é só na Índia que as vacas têm o direito de harmoniosamente partilhar o espaço connosco – Mestia é ideal como ponto de partida para umas quantas caminhadas diárias.

Pode caminhar-se desde Mestia até ao Glaciar Chalaadi mas isso não tem grande piada porque a maior parte da estrada está ocupada com obras, buldozers e tubos para a construção de uma hidroeléctrica. O melhor é seguir de “táxi” até à ponte suspensa de madeira no vale do rio Mestiachala e dai atravessá-la e caminhar por cerca de 1,5 quilómetros até aos pés do glaciar.

A natureza envolve-nos por completo, densa vegetação, rio rebelde e ruidoso, montanhas de um lado, do outro, à frente, atrás. E o glaciar está lá em cima, mesmo defronte de nós. A última parte do percurso é feita a saltar de pedra em pedra, os despojos do glaciar. É perigoso acercarmo-nos totalmente do Chalaadi, pelo que é sensato respeitar o fim do percurso pedestre. Ouvem-se as pedras a soltar e elas lá veem rolando até cá abaixo. Fora do verão há perigo de avalanches. Mesmo não podendo pisar ou tocar no glaciar lá em cima podemos permanecer junto ao rio a observar algumas paredes glaciares na cova da montanha que o vem empurrando.

Mas a caminhada mais concorrida é aquela que nos leva até à Cruz acima de Mestia ou até aos Lagos Koruldi, jornada para durar um dia inteiro. Como só tínhamos pouco mais de meio dia disponível, optámos por tomar um jipe até ao topo e daí vir descendo. Dizer que poupamos o fôlego não é totalmente correcto. Primeiro porque a viagem dentro do jipe não nos livra de uns quantos calafrios causados pelas intrépidas manobras do condutor e pelas vertigens da beira da péssima estrada. Segundo porque as vistas, todas elas, são de cortar a respiração.

Os Koruldi são uma mão cheia de pequenos lagos aos pés do Monte Ushba. Há quem acampe aqui e não deve existir melhor forma de acordar do que esfregar os olhos e dar com aquele cenário imenso, mergulhar as mãos em concha nas águas de um dos lagos para lavar os olhos e ver o nosso rosto refletido no meio de um sem número de montanhas e, já bem acordado, confirmar que o panorama ao nosso redor é mesmo real.

Em nenhum outro lugar percebemos o que significa a expressão “cascatas de montanhas”. São uns picos atrás dos outros ou, como li algures numa deliciosa descrição, são como os meninos na fotografia da escola, dispostos ao calhas, altos e baixos, esguios ou gordinhos, e tal como as crianças algumas têm a cabeça nas nuvens. Ou então, pegando na analogia da escola, gosto de pensar que estes picos são como meninos bem comportados mas geniosos sentados na sala de aula a prepararem-se para actuar enquanto que, nós, privilegiados, somos a sua audiência.

Pena que o Ushba não se deixasse ver completamente descoberto, mas estamos tão alto que é impossível que as nuvens não bailem por ali. Ainda assim, descendo até à Cruz pudemos vislumbrar a sua silhueta e confirmar a singularidade da sua forma, dois picos gémeos relativamente arredondados.

Até Ushguli são 47 quilómetros percorridos em 3 horas (!?) de carro ou os tais 4 dias a pé. A estrada é péssima e não é qualquer veículo que a percorre, embora esteja em beneficiação, pelo que daqui a uns anos a viagem será mais cómoda. Não me parece, no entanto, que algum dia venha a ser um local facilmente acessível.

Ushguli poderia ser sinónimo da palavra remoto. É uma comunidade de cinco aldeias no vale do Enguri, considerado o mais alto ponto da Europa permanentemente habitado. Localizada a 2100 metros de altitude, é de um quase isolamento que se trata. Se dizem que viver numa ilha é atrofiante por não se poder fugir senão para o mar, que dizer de um lugar rodeado pelas mais altas montanhas da Europa? Eis o Cáucaso profundo em toda a sua magnificência.

O caminho até Ushguli transporta-nos por paisagens fantásticas, incluindo uma visão do Monte Chkhara, o mais alto da Geórgia. Paisagem de montanhas, o rio Enguri por vezes ali mesmo à beira e por outras apenas avistado depois de uma olhada por um desfiladeiro mais ou menos alto, água a escorrer das paredes xistosas e umas pequenas povoações, cada uma delas com as suas torres svans.

O primeiro lugarejo de Ushguli é Murqmeli. É o mais afastado do centro e tem um ar quase abandonado. As torres svans no vale rodeado de montanhas já criam por si só um enorme ambiente de mistério, mas os caminhos empedrados, as ruínas do casario e as apenas 4 famílias que restam a Murqmeli adensam o clima. Cães, cabras, porcos e vacas são quase tudo o que resta no seu dia a dia, depois da intempérie de 1987 que assolou esta povoação e matou dezenas.

Curiosamente, diz que pela região de Svaneti não faz tanto frio assim, apenas uns -10 ou -15 graus. Impossível não esboçar um sorriso de incredulidade perante esta sentença, mas depois acabamos por perceber a relatividade das temperaturas. Não faz tanto frio como os -40 graus da Rússia. O que acontece é que as povoações de Ushguli estão encaixadas num vale e não costumam sofrer com o vento, para além de que a sua proximidade com o Mar Negro acaba por as poupar de invernos extremos que costumam ser característicos das regiões de montanha.

O lugarejo seguinte é Chazhashi, aquele que está efectivamente classificado pela Unesco como património da humanidade. A quantidade de torres e edifícios em pedra é aqui maior e estão todos concentrados num curto espaço. O rio corre em baixo do casario enquanto que a montanha alta os protege.

É no topo de uma colina que fica a Supar, a residência de inverno da Rainha Tamar. Hoje resta apenas uma torre e ruínas da igreja, mas originalmente eram quatro torres, o lugar onde os antigos svans se reuniam para tomar decisões. A Torre da Rainha Tamar é um belo exemplo da arquitectura svan, ainda para mais instalada num lugar fantástico. É como se estivesse a dar as boas-vindas a quem chega a Ushguli. A residência de verão de Tamar fica logo acima, mas bem mais acima, na montanha.

Chvibiani e Zhibiani são lugarejos que se atravessam para se perceber a vida das gentes que os habitam. Com muitas casas de arquitectura familiar em ruína, têm certamente mais animais do que pessoas. Caminhos estreitos de terra e pedra, temos de ter cuidado para que um cavalo não venha por aí desalmado. Os porcos andam uns tresmalhados e outros a descansar. É aqui nestas povoações que percebemos melhor a abundância de xisto nas construções. Ele está em toda a parte. E é aqui também que me vem à memória Montesinho. Tão longe um do outro mas com tanto em comum: o ser remoto, as montanhas (salvas as diferenças e altitude), os animais deixados à solta, as construções em pedra e xisto, a simpatia daqueles que ainda lá habitam ou teimam em voltar, a timidez de outros. A solidão, até.

Caminhamos, enfim, até Lamjurishi. Nem é bem um lugarejo, é antes um ponto no território com uma colina com a Igreja da Virgem Maria e a sua torre defensiva. E que ponto este. Aqui ficamos face a face com o vale onde se ergue o Chkhara, o pico mais alto de toda a Geórgia. Esperamos um pouco e conseguimos ir vendo o seu cume por entre as nuvens densas que teimavam em escondê-lo, ameaçando com umas abertas aqui e ali.

Esta é pura paisagem com a tensão cénica a atingir os seus limites. São montanhas de paredes verdes lisas onde vacas e cavalos se vão deixando estar sem pressa de que o tempo corra. O mesmo connosco. Deixamo-nos estar a contemplar toda a magia deste lugar poderoso a que nos rendemos de imediato mas também sem pressa.

Escolhemos este ponto para a pausa de almoço, deliciando-nos com o típico kubdari, pão recheado com carne com tempero de fina cebola branca e sal de Svaneti. Só faltou a chacha, a vodka georgiana, para celebrar o momento, mas a majestosidade de Ushguli, literalmente “coração destemido”, já nos deixa suficientemente ébrios de tanta beleza.

Arte Contemporânea em Tbilisi

Tbilisi, já se viu, é uma cidade antiga e jovem ao mesmo tempo.

Nas paredes das ruas do seu centro histórico vemos alguns pequenos graffitis com mensagens sociais. Mas é nas imediações da Fabrika que esta arte urbana se reproduz. Ao lado de Basquiat é lembrado Pirosmani.

Niko Pirosmani, nascido em 1862, é um dos pintores mais amados da Geórgia, de tal forma que uma das suas pinturas aparece na nota de 5 lari. Nascido pobre numa zona rural, a sua pintura autodidacta reflecte as condições da terra, retratando pescadores, comerciantes e nobres no seu dia a dia. Na Galeria Nacional, em Tbilisi, podemos ver estas suas duas obras, o funicular que segue até ao Monte Matsminda e o pescador que ficou como a sua representação mais famosa, a tal da nota de 5 lari.

Já no Museu de Arte Moderna Zurab Tsereteli, criado por este artista contemporâneo nascido na Geórgia mas baseado em Moscovo, podemos apreciar as suas pinturas e esculturas de grandes dimensões. Apesar de ter trabalhado fora da sua terra natal, o motivo do pescador também lhe é querido.

E assim ficamos a conhecer um pouco mais da Geórgia e da sua cultura através das diversas expressões artísticas.

Geórgia e Tbilisi

De todos os países do Cáucaso, a Geórgia é aquele que mais perto se encontra dos seus desejos de ser visto como Europa. Ainda assim, constantemente nos perguntamos onde estamos, cá ou lá.

A sua história sempre teve ligações à Europa. Foi parte do mundo grego antigo e foi a segunda nação a adoptar o cristianismo e os georgianos habituaram-se a ver a pertença ao ocidente como parte da sua identidade. Um georgiano a viver em Barcelona que conhecemos na viagem dizia-nos que eles, georgianos, gostam da demokratia. E da liberdade. Em 2018 comemoram-se os 100 anos da primeira república democrática na Geórgia. Independentes do Império Russo na sequência da Revolução Russa de 1917, essa situação acabou por durar pouco, no entanto, com a agregação pela União Soviética logo em 1921. Com o ruir da URSS em 1991 a Geórgia tornou-se, enfim, independente. Hoje a aproximação à União Europeia é assumida e declarada, em detrimento de uma maior comunhão com os russos, embora o país receba um sem número de turistas vizinhos (apesar da tensão da guerra ainda aberta com a Rússia por causa das repúblicas separatistas da Abecásia e da Ossétia do Sul).

Há uns anos foi criado pelo turismo da Geórgia um slogan que dizia mais ou menos que “A Europa começou aqui”. Rapidamente chegaram à conclusão de que essa ideia não pegava, uma vez que ninguém para aqui viria para ver a Europa. O enfoque foi então desviado para a venda da Geórgia como o lugar em que o “oriente encontra o ocidente”. E é isso que os turistas buscam no país.

A Geórgia sofreu economicamente com a separação da URSS e durante toda a década de 90 a crise, o crime e a corrupção grassaram. A pacífica Revolução Rosa de 2003 veio melhorar a situação e a liberalização da economia conseguiu atrair investimento e colocar o país e a sua capital na rota do turismo.

Na capital da Geórgia, Tbilisi, mais do que em nenhum outro lugar é evidente o cruzamento entre a Ásia e a Europa e o legado deixado pelos vários povos que passaram pela região, desde os invasores árabes, turcos, persas e mongóis até aos vizinhos arménios, azeris e russos. Todos eles deixaram a sua marca.

Só no centro de Tbilisi é possível, por exemplo, encontrar-se igrejas ortodoxas georgianas, igrejas apostólicas arménias, igrejas católicas, uma sinagoga, uma mesquita e até as ruínas de um templo zoroastrista. Esta realidade é ainda um testemunho de como todos aqui sempre viveram em comunhão.

Comecemos este périplo por Tbilisi pelo bairro de Abanotubani, o bairro dos telhados abobadados em tijolo que mais parecem as bolinhas da erupção das águas quentes que por aqui correm. Literalmente, Tbilisi significa “lugar quente”. E em Abanotubani os edifícios de banhos públicos sulfurosos são às dezenas, aproveitando as águas termais do lugar. Não é apenas um lugar turístico, os georgianos fazem uso frequente deste ritual também experimentado por Alexandre Dumas e Pushkin em outros tempos.

A fachada dos banhos Orbeliani faz-nos ter a certeza que viajámos até à Pérsia e parámos a nossa caravana que vem atravessando a Rota da Seda para aqui descansar um pouco. Carregada de azulejos azul turquesa, esta lindíssima fachada esconde um interior de banhos com salas públicas e privadas. Optámos por uma destas últimas, mas apenas nos aguentámos 5 minutos dos sugeridos 15 naquelas águas escaldantes. Valeu a experiência e o deleite da sua decoração encantatória.

Este bairro da velha Tbilisi tem uma disposição do edificado muito pitoresca. Uma espécie de canal do rio Kura que banha a cidade intromete-se terra adentro e por uma pequena colina vamos vendo as casas alcandoradas, quase que magicamente suspensas.

O minarete da mesquita ali está, vigilante, enquanto que mais acima, bem no topo, vemos o Forte Narikala.

O tijolo domina mas as varandas típicas, aqui e ali rendilhadas, sobressaem numa paleta de cores perfeita. A arquitectura tradicional da cidade é feita destes edifícios que têm vindo progressivamente a ser restaurados. As varandas são de madeira ou de ferro, sempre suspensas, a maioria corridas mas algumas delas arredondadas. Este é o aspecto mais visível e característico. Mas caminhando pelas ruas estreitas e inclinadas da velha Tbilisi descobrimos muito mais. Desde logo, fugindo para as ruas interiores perguntamo-nos se estaremos numa cidade ou numa aldeia. Para lá das ruas com galerias, cafés e restaurantes da moda há toda uma outra Tbilisi a metros de distância, por vezes no mesmo quarteirão.

Veem-se muitos edifícios degradados, em ruína até, mas sempre com uma videira ou até bananeira a rodeá-los. Os pátio comuns são uma outra característica desta cidade com ar de aldeia. Normalmente com dois andares, a roupa estendida cai para o terraço do pátio, onde os seus moradores, de várias idades, se deixam estar a conversar, mantendo o espírito de comunidade de outros tempos. Faz lembrar as vilas operárias lisboetas. A unir os vários pisos, veem-se ainda umas belas escadas em espiral. Nas ruas, crianças brincam, jogando à bola ou andando de bicicleta, junto às relíquias automobilísticas.

Lado a lado a esta arquitectura vernacular típica de Tbilisi podemos ainda encontrar uma mansão em estilo art noveau.

Para aumentar a diversidade de Tbilisi e comprovar a sua abertura às várias influências ao longo dos tempos, junto a estes edifícios tradicionais e às inúmeras igrejas medievais que pintalgam a paisagem urbana de cúpulas cónicas encontramos hoje uma série de projectos arquitectónicos do século XXI que têm feito da cidade uma quase Meca para os amantes de arquitectura.

As duas margens da cidade têm desde 2010 uma nova ponte que permite atravessar o rio Kura. A Ponte da Paz é uma ponte pedonal e não é exagero nenhum dizer-se que é uma das pontes mais bonitas e surpreendentes do mundo. Projectada pelo italiano Michele de Lucchi, esta estrutura em vidro e aço com a forma de uma onda é ideal para nos perdermos, primeiro a atravessá-la, apreciando quase toda a Tbilisi, e depois a fotografá-la, por entre os jardins do Parque Rhike.

É neste novo parque que encontramos outro dos projectos da arquitectura espectáculo da Tbilisi do século XXI. Também da autoria de um italiano, Massimiliano Fuksas, a Sala de Concertos e Centro de Exposições é um corpo estranho de duas estruturas tubulares revestidas com painéis de vidro e aço. É como se fossem dois longos olhos dirigidos à cidade velha, na outra margem.

E do Parque Rhike vê-se não muito distante o também novíssimo edifício que acolhe uma série de serviços públicos (género de Loja do Cidadão), precisamente na margem contrária e precisamente do mesmo arquitecto. O seu telhado branco é pomposo e inconfundível, diversas pétalas ou cogumelos ou guarda-chuvas, depende onde a nossa imaginação nos transporta.

Num dos cantos do Parque Rhike ergue-se uma colina onde hoje domina a igreja Metekhi e a estátua do Rei Vakhtang Gorgasali, lugar da construção de uma primeira igreja e palácio aquando da fundação da cidade no século V por este rei.

A estação de teleférico que nos leva até ao Forte Narikala fica por aqui. A curta viagem é um verdadeiro miradouro panorâmico que nos permite contemplar e perceber todos os contornos paisagísticos e urbanos da Tbilisi velha e moderna.

O Narikala, que se vê quase de qualquer ponto da cidade, foi uma antiga cidadela persa construída no século IV, mas todos os povos que por aqui passaram a usaram. Incluindo, os russos que dela fizeram um armazém onde munições explodiram, contribuindo assim, a par do tempo, para a sua degradação. Ainda resta parte da muralha, mas são as vistas fabulosas que nos trazem ao topo do Narikala.

Antes de descermos rumo à cidade velha, a Kartlis Deda, ou Mãe Geórgia, recebe-nos, majestosa, com uma espada numa mão e um copo de vinho na outra, conforme o papel de guerreira ou acolhedora que tenha de desempenhar face a quem a visita.

A Rustaveli é a grande avenida de Tbilisi. Construída no século XIX, vai desde a Praça da Liberdade até à estação de metro Rustaveli, quase 2 longos e largos quilómetros ao estilo russo com grandes e importantes edifícios de um lado e do outro, como o antigo parlamento, museus, igrejas e o arabesco Teatro da Ópera.

No final, uma enorme escultura de uma bicicleta tenta-nos convencer que esta é uma cidade que se presta a ser percorrida a pedalar. Não é assim e essa é apenas mais uma das suas contradições.

Passamos pelo mercado tipo feira da ladra conhecido como Ponte Seca que se estende pelas imediações de uma ponte e parque. Este é o lugar para se comprar – ou deliciar – memorabilia soviética. De tudo se vende, mas o que nos encheu as medidas foram os carros Lada em miniatura, tão perfeitos que até o interior, como o motor, foi reproduzido.

Do outro lado do rio fica a Avenida Aghmashenebeli. Esta é uma Tbilisi moderna e parte desta avenida é pedonal, com edifícios recuperados e mobiliário urbano para ser usufruído pelos cidadãos.

Tbilisi é isto, andar cá e lá. Cá deste lado do rio, lá do outro lado do rio. Cá no presente, lá no passado. Cá no ocidente, lá no oriente. Com uma passagem pelo mundo soviético.

Mais um exemplo desta Tbilisi de muitas caras: a Fabrika. Mas este é também um exemplo da Tbilisi jovem e vibrante. Antiga fábrica soviética de têxteis, o edifício estava desocupado e nos últimos anos foi transformado num espaço multifunções. Hostel com decoração vintage, lojas de design, galeria, cafés e restaurantes. É sobretudo um lugar de encontro onde a criatividade abunda. Um espaço urbano aberto a novas ideias e uns dos lugares de Tbilisi onde se percebe que esta é uma cidade em rápida mudança.

Terminámos a nossa jornada por Tbilisi de barriga cheia no Cafe Littera. Um dos mais bonitos e atmosféricos restaurantes, com as mesas instaladas no jardim da que foi em tempos a Casa da União dos Escritores Soviéticos, aqui se reinterpreta a comida georgiana tradicional aproveitando as várias influências que nela marcam presença, desde a comida da Ásia Central à turca, passando pela russa.

Mas até esta refeição já os simples e omnipresentes khachapuri, khinkali e beringela com nozes nos haviam deliciado o paladar. E as cores e cheiros dos produtos da Geórgia preenchido todos os nossos outros sentidos.

Cáucaso

Há meses, alguém perguntou para onde iria eu de férias este ano. Quando ouviu a resposta “para o Cáucaso”, virou-me as costas ao mesmo tempo que atirava “isso a mim não me diz nada”. É precisamente por haver locais do mundo que não me dizem nada que gosto de os visitar e quanto menos conhecidos, melhor. Espero, porém, que não desistam já de ler as próximas linhas e tenham, como eu, curiosidade em descobrir o mundo.

“Enquanto alguns especialistas consideram a região a sul da cadeia montanhosa do Cáucaso como pertencente à Ásia, outros são da opinião, tendo em conta, sobretudo, a evolução cultural da região transcaucásica, que esta já pertence à Europa. Cabe-vos pois a vós, meninos, decidir, consoante o vosso comportamento, se esta nossa cidade irá pertencer à moderna Europa ou à retrógrada Ásia.”

Assim discursava o professor russo do Liceu Humanista Imperial Russo de Baku frente aos seus 40 alunos – 30 muçulmanos, 4 arménios, 2 polacos, 3 sectários e 1 russo – no princípio do século XX, como podemos ler em “Ali e Nino”, de Kurban Said.

“Ali e Nino” pode ser o livro nacional do Azerbaijão, mas o romance entre um muçulmano e uma cristã, num lugar onde os seus habitantes não estavam ainda certos de pertencer ao oriente ou ao ocidente, perpassa grande parte do Cáucaso, focando diversos locais seus e com personagens de várias etnias aqui presentes.

Esta a primeira grande ideia: o Cáucaso é historicamente um lugar de cruzamento de civilizações e ainda hoje o visitante se interroga em que mundo estará.

Certo que as montanhas do Cáucaso são a divisão geográfica natural entre Europa e Ásia. Situadas entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, abrangendo parte do Sul da Rússia (a Ciscaucásia, os Cáucaso do Norte) e países como a Arménia, Geórgia, Azerbaijão (a Transcaucásia, ou Cáucaso do Sul), esta região não possui, no entanto, uma unidade. Pelo contrário, é caracterizada pela sua diversidade quer de paisagens e climas quer, sobretudo, de culturas.

Mas as várias culturas coexistiram pacatamente ao longo de séculos, de tal forma que antes da I Grande Guerra Mundial eram mais os muçulmanos do que os cristãos em Yerevan, capital da cristã Arménia, e mais os arménios do que os georgianos em Tbilisi, capital da Geórgia. Vários impérios iranianos mesmo antes dos designados persas andaram por aqui. Foram os citas, por exemplo, que terão estado na origem da palavra “Cáucaso”, a qual derivará de kroy-khasis, literalmente “gelo a brilhar”.

Referindo-me, de seguida, à Transcaucásia em especial, cada um dos seus três países possui a sua língua e alfabeto e cada um deles tem a sua cultura e religião. Na generalidade, o zoroastrismo dominava até ao século I a.C., mas a Arménia foi a primeira nação do mundo a adoptar oficialmente o cristianismo logo no ano de 301 e ainda hoje tem a sua própria Igreja Apostólica Arménia, a Geórgia foi a segunda nação a seguir o cristianismo com a criação da sua Igreja Ortodoxa e o Azerbaijão segue o islão. Mais de 50 grupos étnicos estão aqui identificados.

Vizinhos, sim, mas nem por isso amigos. Esta complexidade cultural tem trazido muitos conflitos na região nos últimos anos e as relações diplomáticas entre os estados nem sempre têm sido fáceis.

Comerciantes a caminho da Rota da Seda e exércitos como o dos mongóis passaram por aqui. Gregos e romanos chegaram aqui mas foram os iranianos, persas e otomanos a cultura dominante durante muitos séculos, mas no primeiro quartel do século XIX os russos impuseram-se e tomaram conta da região. Com o fim do Império Russo em 1917 o Cáucaso do Sul chegou a estar unificado numa única entidade política, com declarações de independência pelo meio por parte de cada um dos seus estados. Só após a desintegração da União Soviética em 1991 a Arménia, a Geórgia e o Azerbaijão declararam e conseguiram a sua independência. Mas se o fim da URSS levou ao reconhecimento universal da independência destes três estados (bem como ao de muitas outras ex-repúblicas soviéticas), as disputas territoriais na região levaram a que desde aí outros três declarassem unilateralmente a sua independência sem que tenham até agora sido reconhecidos como tal pela comunidade internacional. São eles a Abecásia, a Ossétia do Sul e o Nagorno-Karabakh (também designado Artsakh pelos arménios). E se pensarmos que a Chechénia é parte do Cáucaso do Norte temos o cenário completo do caldo que é esta região.

Ou seja, andar pelo Cáucaso é andar perto de regiões que nos habituámos a ouvir e a ver nos noticiários pelas más razões (o filme Tangerinas, de 2013, sobre a guerra entre a Geórgia e a Abecásia, é uma boa referência para se entender um pouco mais acerca destas relações de vizinhança em tempos de guerra).

No entanto, apesar dos diversos conflitos e de muitas fronteiras terrestres encerradas entre eles, a Arménia, a Geórgia e o Azerbaijão são países bastante seguros.

À partida levávamos pelo menos uma ideia acerca de cada um deles. A Arménia foi a primeira nação a adoptar o cristianismo e diz a lenda que a Arca de Noé apareceu no seu território ancestral; as montanhas da Geórgia são das mais bonitas do mundo e aqui ficam dos picos mais altos da Europa (o filme O Planeta Solitário, de 2011, confirma o cenário de beleza); a capital do Azerbaijão é uma cidade onde têm vindo a ser construídos projectos arquitectónicos contemporâneos arrojados à conta do petróleo e do gás.

Aprofundámos estas ideias e juntámo-lhes mais umas quantas.