Kazbegi

Svaneti pode ser a região mais bonita da Geórgia, mas é de Kazgebi a imagem mais conhecida na divulgação do país.

Mais acessível, a duas horas de Tbilisi, o que permite uma visita de um dia, ao contrário de Svaneti Kazbegi está longe de ser um lugar remoto. Não deixa, no entanto, de ser também um lugar mágico.

Saindo de Tbilisi seguimos pela Estrada Militar Georgiana, construída pelos russos após tomarem a Geórgia em 1801.

Chekhov escreveu no seu tempo “sobrevivi à Estrada Militar Georgiana. Não é uma estrada, é poesia”. A estrada leva-nos por mais paisagens montanhosas lindíssimas, sobretudo aqueles tapetes verdes que tanto me encantaram também em Svaneti.

Bem antes de chegar a Kazbegi fizemos uma paragem no Forte de Annanuri. A sua localização é mais uma daquelas superlativas. Com a água da barragem Zhinvali como companhia, este complexo de uma fortaleza e duas igrejas é um exemplo da arquitectura clássica georgiana. Do alto de uma das torres da fortaleza obtém-se uma vista fantástica. E a igreja encanta pelo trabalho escultórico nas suas fachadas, uma cruz e umas árvores absolutamente lindas.

Rumando a norte em direcção a Kazbegi, levamos o território separatista da Ossétia do Sul no nosso lado esquerdo, mas a paisagem é sereníssima.

Kazbegi, agora conhecida por Stepantsminda, é uma vila num vale cuja fama vem sobretudo das vistas soberbas para a solitária igreja Tsminda Sameba (Gergeti) bem lá no alto já próximo do Monte Kazbek.

E é ainda a terra natal de Alexander Kazbegi, filho de gente abastada que foi estudar para Tbilisi, São Petersburgo e Moscovo, mas que decidiu voltar à sua terra e tornar-se pastor para estar mais próximo das suas raízes e das vidas das gentes locais ao mesmo tempo que escrevia. A casa onde nasceu e onde jaz no jardim é hoje um museu.

Do centro de Kazbegi podemos ascender a caminhar até ao monte onde reina imponente a igreja Gergeti. Mas por falta de tempo e de pernas seguimos num 4×4. Situada a 2200 metros de altitude, a igreja do século XIV não é superior a outras que havíamos visto. O que faz a diferença para que seja considerada um símbolo da Geórgia é a sua implantação. As enormes paredes montanhosas que a rodeiam são verdadeiramente impressionantes. Dramático é o adjectivo que melhor descreve o cenário.

São umas montanhas a seguir a outras, montanhas rugosas e escarpadas, com picos afiados. Boris Pastenak comparou esta região a uma cama amarrotada.

Uma destas montanhas, aquela que se vê nas costas da igreja Gergeti quando observada desde a vila, é o Monte Kazbek, o segundo maior da Geórgia e o quinto maior da Europa, com 5047 metros, mesmo na fronteira com a Rússia. Não bastasse a imponência do panorama, este vulcão extinto está associado a algumas lendas. Conta-se, por exemplo que Promoteu, o titã da mitologia grega, foi aqui preso por roubar fogo dos deuses. Não custa a crer que esta região do Cáucaso tenha sido habitada por seres superiores.

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