Siena

Chegar a uma cidade, que não se conhece, ao final do dia ou já noite por vezes não é a melhor sensação. Desta vez, quando chegámos a Siena, a experiência foi bem positiva.
Dificuldades não se colocaram porque a cidade é pequena, facilitando todos os movimentos, por outro lado, tivemos o privilégio de sentir a cidade com pouca gente, o que não é uma missão fácil durante o dia.
Absorvermos a Piazza del Campo praticamente vazia, bem como percorrermos as ruas desta cidade magnífica, em muitos momentos, só com a companhia da nossa sombra, criada pela iluminação nocturna, é qualquer coisa de especial.

Sistema eléctrico do hotel parcialmente mandado abaixo, por conta de um curto-circuito na tomada em que tentei ligar um gadget, noite passada e manhã iniciada, abrimos a janela e pareceu-nos que o blackout se prolongou para a rua. Lá fora predominavam cores escuras, confirmando o anúncio de previsão de chuva.

Siena esteve séculos na sombra de Florença, onde durante um grande período se concentrou o poderio económico e cultural da região. Atualmente ao nível de turismo, a haver uma rivalidade, esta não faz sentido porque são sobretudo cidades complementares. Enquanto Florença floresceu durante o Renascimento, as glórias artísticas de Siena são góticas.
Contudo, a cidade surgiu bem antes desse período. Segundo a lenda, Siena foi fundada por Senius, filho de Remo, o irmão gémeo de Rómulo, personagens da mitologia romana, conjuntamente com a loba que os amamentou.
O auge de Siena é, contudo, durante o governo republicano do Consiglio dei Nove, um executivo eleito dominado pela classe mercantil crescente. Esse governo decorreu entre 1287 e 1355, quando na sequência da Peste Negra, em 1348, a cidade entrou em declínio económico.
Esse período foi de um grande esplendor político e económico. Muitos dos melhores edifícios de Siena foram construídos durante este período, incluindo a Catedral (Duomo), o Palazzo Comunale e a Piazza del Campo.
Esta resenha histórica é importante antes de iniciarmos o périplo pela cidade, para que tudo seja mais percepcionado.
Siena é encantadora e o centro histórico medieval tem uma unidade pouco comum e, por isso, extraordinária. Por essa razão, e pelo património que contém, é classificada como Património Mundial da Humanidade pela Unesco.

Caminhamos pela cidade até alcançarmos a Piazza del Campo, a praça principal, onde entramos pela parte central, depois de passarmos pela Loggia della Mercanzia.

Colossal, é a palavra que nos surge. Já o tínhamos sentido na noite da véspera e confirmamos novamente, agora já na companhia de uma multidão de pessoas. A praça é gloriosa e única, pela forma que apresenta.

É o centro social e cívico desde meados do século XIV. O pavimento inclinado é dividido em 9 sectores, os quais representam o número de membros do Conselho do Governo (Consiglio dei Nove).

Na parte mais alta da praça localizam-se vários restaurantes e esplanadas. Num nível um pouco mais abaixo fica a emblemática Fonte Gaia, a funcionar desde 1346, a qual apresenta reproduções – os originais, esculpidos por Jacopo della Quercia no início do século XV, estão no Complesso Museale di Santa Maria della Scala – de vários painéis com cenas mitológicas e bíblicas.

Na área baixa da praça localiza-se o elegante Palazzo Comunale, concebido, em 1297 pelo Consiglio dei Nove, como centro nevrálgico do governo da república. É um dos edifícios góticos mais expressivos de Itália. A fachada do edifício, em pedra e tijolo, tem um desenho engenhoso ao ser côncavo, de forma a espelhar a curva convexa oposta formada pela praça.

A encimar encontra-se a Torre del Mangia, que com os seus 102m é uma das torres mais altas de Itália. Pelas filas proibitivas, não subimos ao seu topo nem entramos no museu cívico e noutros espaços expositivos albergados no Palazzo.

É na Piazza del Campo que anualmente decorre o Palio, um festival que evoca as antigas rivalidades das 17 contrades (paróquias) através de uma corrida de cavalos sem sela e de outras festividades.
Seguimos pela cidade, percorremos as suas belas ruas, apreciamos os majestosos edifícios, desembocamos em várias praças.

O céu começa a ficar mais e mais escuro. O vento intensifica-se. Não tarda a chuva far-se-á anunciar. O Inverno ocupou o lugar da Primavera por mais uns dias. 

Chegamos à Piazza del Duomo e damos com o impressionante Duomo, que é uma das estruturas góticas mais grandiosas de Itália. Começou a ser construído em 1196 e foi praticamente concluído em 1215.

Na fachada frontal apresenta um conjunto de estátuas de filósofos e profetas. Na verdade cópias, porque os originais estão no Museu dell’OperaMetropolitana. Não percebo porque os originais estão sempre noutro lugar.

Listada a preto e branco, a fachada é esplendorosaEntramos na catedral, das poucas atracções turísticas que não tem filas e tempos de espera gigantescos. O interior é majestoso e impressionante.
Apresenta um belíssimo pavimento em mármore de embutidos desenhados, que entre outras cenas, representa o Massacre dos InocentesTambém no interior podemos apreciar esculturas de Pisano, Donatello e Michelangelo, assim como a biblioteca Piccolomini, a qual apresenta uns espantosos frescos de Pinturicchio.
Em meados do século XIV é desenvolvido um plano para aumentar a catedral. Contudo esse projecto é interrompido pelo declínio económico após a epidemia de 1348. Para a posterioridade e até aos dias de hoje ficaram vestígios da nova nave, que atestam a dimensão do pensado.
Voltamos ao exterior e a chuva anunciada cai forte. Deambulamos um pouco mais, sobretudo à procura de um sítio para almoçar. Em Siena, como de resto em toda a Itália, come-se extraordinariamente bem (ver périplo gastronómico em cantina). Vamos até à Piazza del Mercado e entramos num espaço que é uma verdadeira catedral da comida. Como crentes ficamos e absorvemos simultaneamente os sabores toscanos e a beleza de Siena, que nem a chuva lá fora faz apagar.

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