As cores da Guelaguetza

Oaxaca é famosa pelos seus festivais tradicionais. Para um não mexicano talvez o mais famoso deles seja o do Dia dos Mortos, em Novembro. Mas para um oaxaquenho e para os mexicanos em geral, o Guelaguetza é aquele em que todos querem participar.

Também conhecido como “Los Lunes del Cerro” (segundas-feiras do Monte), o Guelaguetza tem lugar nas duas segundas-feiras a seguir ao dia 16 de Julho. Em 2019 calhou, por isso, nos dias 22 e 29 de Julho, mas toda a semana é de festa.

As suas raízes vêm de há muito e é uma tradição indígena que pretende honrar Centeotl, a Deusa do milho, de forma a assegurar boas colheitas (recordar o dito popular: “sin maíz, no hay país”). Quando os espanhóis chegaram, os missionários que os acompanharam tentaram acabar com este género de rituais pagãos e para isso promoveram a Festa da Virgen del Carmen, celebrada a 16 de Julho. Sem sucesso. A Guelaguetza sucede-a no calendário, mas não encontra ainda hoje rival nas festividades.

Celebrado oficialmente desde 1974, gente de todo o México, e mesmo estrangeiros, vem até Oaxaxa durante estes dias para assistir a um colorido e alegria diferentes proporcionado pelos participantes das oito regiões do estado de Oaxaca, a região mexicana com mais diversidade étnica. As várias comunidades dançam e cantam com orgulho e desfilam pelas ruas nas suas vestes típicas, hiper coloridas e hiper decoradas. É uma autêntica mostra étnico-cultural das tradições indígenas, a que não falta a gastronomia – e o mezcal – que, aliás, é um dos pontos altos de qualquer visita à cidade de Oaxaca.

Guelaguetza é uma palavra zapoteca (o grupo indígena dominante na região) que significa “oferecer”, enquanto acto de troca, de reciprocidade, daí que no final dos espectáculos de dança folclórica tradicionais que ocorrem nas praças e ruas da cidade estes terminem sempre com os participantes a atirar presentes para o público, sobretudo fruta e flores.

As cerimónias oficiais têm lugar no auditório no Cerro del Fortín e os lugares mais próximos do palco – pagos – esgotam rapidamente. Para os demais lugares – gratuitos – formam-se filas enormes para ambas as sessões – de manhã e de tarde – de ambas as segundas-feiras.

Tentámos comparar bilhete, não tentámos esperar na fila. Mas nem por isso se perde pitada do ambiente festivo. No Zócalo está montado um écran gigante que vai passando as imagens da televisão com o grande espectáculo do auditório, igualmente transmitido na rádio. E no Jardín del Pañuelito acontecem espectáculos em ponto mais pequeno de dança e música. Pelas ruas, para além das bancas de artesanato e do corrupio constante das mulheres em belos trajes tradicionais e com tranças coloridas, vamos vendo diversas paradas com muita música, cor e alegria.

Dito isto, não se pense que é apenas na cidade de Oaxaca que se sente a Guelaguetza. Não. Um pouco por todo o estado se percebe estas celebrações. Na estrada cruzamo-nos com carrinhas de caixa aberta a transportar os participantes nas suas vestes tradicionais e nas aldeias e vilas escutamos o rufar dos tambores ou um lançar de fogo de artifício e vemos as suas ruas decoradas para a festa que torna a região de Oaxaca ainda mais viva e colorida.

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