Quinta Conde dos Arcos

A Quinta Conde dos Arcos já existia quando no século XVII veio à posse da família dos Noronha, mais tarde Condes dos Arcos. Situada nos Olivais, então arrabalde de Lisboa, lugar ideal como refúgio do bulício da capital, na época tinha solar, pátio, lagar de azeite, olivais, vinha e pomares.

Hoje não é muito diferente, mas a vizinhança mudou por completo. Desde logo, em 1940 a Quinta foi expropriada pela Câmara Municipal de Lisboa aos herdeiros dos condes, ficando amputada de uma pequena parte para construção da via que liga o aeroporto a Moscavide. Muitas urbanizações cresceram à sua volta, ao mesmo tempo que a Câmara instalava na quinta agora sua propriedade escolas de calceteiros e jardinagem, o viveiro municipal e hortas comunitárias.

Em 2017 foi criado o Parque Urbano da Quinta Conde dos Arcos, iniciativa municipal que colocava este espaço no corredor verde de Lisboa, ao mesmo tempo que o devolvia à fruição e recreio de todos nós.

São 9 hectares que se estendem para lá das duas entradas (e de uma terceira exclusiva para os pequenos agricultores citadinos), um pedaço de ruralidade em plena cidade. Já se tinha avisado atrás, o ambiente não será muito diferente daquele do século XVII. Os viveiros da Câmara, donde saem diversas espécies para serem plantadas Lisboa afora, ocupam uma parte generosa da quinta. E as hortas comunitárias estão divididas em quase meia centena de talhões, distribuídas por concurso aos munícipes. Depois, cada um pode plantar e cultivar aqui o que quiser, como se fosse a horta da aldeia, tendo como resultado, neste caso, umas couves quase paredes meias com os edifícios modernos do Parque das Nações, a cidade imaginada. Alguns talhões estão, porém, atribuídos à junta de freguesia e à Escola de Jardinagem, onde realizam actividades ligadas à jardinagem e à agricultura, como visitas guiadas, acções de sensibilização, cursos e workshops.

Com a abertura deste parque e jardim passámos a ter acesso à bela alameda rodeada de diversas espécies de árvores. Não é, no entanto, exactamente aqui que fica um impressivo dragoeiro, antes um pouco mais acima numa área de pomar junto ao edifício principal. Sou fã de dragoeiros, mas este é especial, acreditando-se que tenha mais de 200 anos.

Não deixamos o parque sem mais uma surpresa, o bonito tanque encimado por uma escultura que ladeia o antigo palácio. Neste solar, o lugar onde funcionam as escolas de calceteiros e jardinagem, vale a pena apreciar alguns elementos decorativos, como a imagem de uma caravela nos portais e os azulejos aqui e ali na fachada.

E porque se pretende que este seja um lugar para se estar, nada como terminar a visita com um brunch na cafeteria Conde dos Arcos, no meio do campo sem perder de vista a cidade.

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