A Costa do Minho de Caminha a Viana

Por que razão o mar nos inspira? 
Talvez ninguém melhor do que Ramalho Ortigão, na sua obra “As Praias de Portugal – Guia do Banhista e do Viajante”, de 1876, para nos explicar:
“O mar torna-nos imaginativos, faz-nos propender para a contemplação, para a ociosidade, para a vaga saudade, para a indefinida melancolia. Este estado poético é dos mais perigosos. Prosta, enfraquece, desarma o carácter. É por isso que as mulheres, à beira-mar, nos dias doces e enervantes do Outono, precisam mais do que nunca de se retemperarem na aplicação, no estudo, na actividade intelectual.”

Eis uma breve viagem fotográfica, com algumas palavras pelo meio, pela costa atlântica de Caminha até Viana do Castelo:




Deixando Caminha nas costas, adentramos pela floresta junto ao Posto Náutico da Ínsua.
A praia do Moledo abre-se-nos como a mais a norte de Portugal. A Galiza ergue-se à direita, para lá da foz do Rio Minho, e a Ínsua balança nas águas pouco calmas deste pedaço do Atlântico. Esta ilha a 200 metros da costa foi construída entre 1649 e 1651. Foi convento e fortaleza militar, com o objectivo de proteger a entrada da barra quer dos espanhóis, com quem estávamos em guerra então, quer dos ataques de corsários.
Sobre o Moledo, recorro às palavras de Raul Brandão, na sua obra “Os Pescadores”, “São nove horas. O azul entontece. Perco a linha da paisagem, o verde-escuro do pinheiral que vai até ao mar, e tudo isto se me afigura uma larga concha azul, com uma borda de areal onde alguns velhos moinhos em fila batem as asas para meu encanto. O forte da Senhora da Ínsua fica num extremo da curva, onde a amplidão do azul é infinita, a penedia a desfazer-se em espuma…”


O final da praia do Moledo.


À espera de chegar a Vila Praia de Âncora…




Em tempos, a zona marítima entre Caminha e Vila do Conde era forte na apanha do sargaço. Ainda hoje, Vila Praia de Âncora tem uma muito presente comunidade de pescadores. Junto ao Forte da Lagarteira, construído em 1699, encontramos o porto de abrigo com os barcos e material de pesca e os pontões sinalizando a entrada em terra. 
Vila Praia de Âncora, uma das “praias obscuras” de Ramalho Ortigão, é uma das praias mais procuradas do Alto Minho e a mais importante estância turística da região. 


Praia do Forte do Cão e Vila Praia de Âncora ao fundo.


O Forte do Cão.


E a Gelfa. O Sanatório Marítimo da Gelfa, junto à praia do Forte do Cão, terá sido construído em 1911 / 1912. O seu destino começou por ser o tratamento da tuberculose, mas posteriormente serviu como hospital psiquiátrico. Recentemente conheceu a sua terceira e actual pele como Unidade de Cuidados Continuados do Instituto São João de Deus.




Afife.
O mar revolto e frio, muitas das vezes envolvido por nevoeiro e vento. Do outro lado a encosta com vista privilegiada para o Atlântico.
Afife, terra adoptiva de Pedro Homem de Mello:

“Ai! esta palavra – AFIFE – ! –
(Volto, ao murmurá-la atrás – )
Lento moinho de vento
Feito de espaço e de tempo…
Quanta saudade me faz!
Ó casa das mil janelas,
Minhas noites estreladas
Berço de longas estradas…
Poeta, fiei-me nelas.
Ó abismo da lonjura,
Reflexos de pradaria!
Porque parti à procura
Daquilo que não havia?
Era aqui, aqui somente
Que eu devia ter ficado.
Afife de toda a gente
Que baila e canta a meu lado!”



Fim de dia em Afife.



Já em Viana do Castelo, o Cabedelo visto do alto da Santa Luzia.


Já cá em baixo, mais uma floresta para atravessar para chegar à beira mar.



Cabedelo, centro de alto rendimento do surf.



Última paragem: Castelo do Neiva e a sua praia da Pedra Alta.

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