Ponte de Lima

Ponte de Lima é não apenas uma das mais antigas vilas portuguesas como também uma das mais bonitas. Tento imaginar-me sendo estrangeira e, assim do nada, nunca tendo visto qualquer imagem da vila, estar ali no meio daquela paisagem, rio e montes que a envolvem, e daquele património, castelo e casas manuelinas, e pensar que coisa bonita Portugal tem para nos oferecer. Não foi a minha primeira vez em Ponte de Lima e não sou estrangeira, mas penso exactamente o mesmo. 


A ponte sobre o rio Lima é tão importante para esta vila do Alto Minho, distrito de Viana do Castelo, que faz parte da sua designação: Ponte de Lima (ou Ponte do Lima). Mais do que caracterizar a localidade é, pois, parte da sua identidade. Prévia a esta ponte medieval existia uma outra, romano-gótica que se diz ter sido do tempo do imperador Octávio César Augusto, há cerca de 2000 anos, parte do caminho da Via Romana que partia de Braga e ligava a Santiago de Compostela. No século XIV iniciou-se a construção da actual ponte, a qual sofreu, no entanto, diversas alterações ao longo dos séculos, embora conserve ainda todo o porte e beleza.


Ao rio Lima atribuíram os romanos o nome “Lethes”. Era para eles o rio do esquecimento, o rio que uma vez atravessado os faria esquecer a sua pátria.


Iniciei o meu passeio por Ponte de Lima pela margem oposta ao centro da vila, zona conhecida como “Além da Ponte”. A aproximação faz-se por entre muita vegetação, enquanto se vai avistando ao longe as torres das igrejas e o casario branco. 
Caminho obrigatório? A ponte, claro está. 


O panorama da vila é agora mais nítido e é belíssimo. Pena o massivo estacionamento à beira Lima, substituto das inúmeras tendas da feira mais importante do Minho quando não é o seu dia (quinzenalmente, às segundas-feiras).


O fim da ponte deixa-nos na Praça de Camões, o centro de Ponte de Lima, com o seu chafariz com as armas da vila e os edifícios pitorescos. Nas suas costas e para a direita ao longo do rio ergue-se a cidade medieval, feita de ruas e ruelas e muitos palacetes, igrejas e torres de castelo a descobrir. Este é um pequeno e coerente núcleo urbano. 


A esta vila pré-romana concedeu D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, foral em 1125 (com direito a estátua em celebração do feito). Mais tarde, já no século XIV, é que a vila foi cercada por uma muralha com nove torres, das quais restam duas. Com o caminhar dos anos foi observando-se uma mescla de uma população rural com uma aristocracia, com ambas empenhadas na preservação das tradições minhotas. Existem diversos exemplos de casas nobres, para além de que a região é possuidora de alguns dos maiores exemplos de solares minhotos e as chamadas casas de brasileiros. A partir do liberalismo, no século XIX, Ponte de Lima viria a perder protagonismo para Viana do Castelo.



Voltando ao seu centro medieval, uma certeza: Ponte de Lima está muito arranjada e florida. 
A área junto ao edifício da Câmara Municipal é um exemplo de monumentalidade. De um lado o edifício dos Barbosa Aranha com a sua torre com ameias (esta Casa-Torre do século XVII é hoje o lugar do Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde), do outro o Paço dos Marqueses de Ponte de Lima, antigo edifício da Câmara Municipal. Construído no século XVI, a sua fachada é singular, em curva, com duas torres com ameias de cada um dos lados, encontrando-se aqui também alguns elementos manuelinos nas janelas. Hoje um espaço museológico, do seu pátio alcança-se uma bela vista do centro da vila e sua envolvente.




Já no centro medieval, e depois de caminharmos pelas ruas estreitas e passarmos pela Igreja Matriz do século XV e da Igreja da Misericórdia que lhe está face a face, temos hipótese de obter mais uma vista privilegiada através de uma subida à muralha junto à Torre da Cadeia.




Destaque ainda para dois edifícios fora desde centro medieval, a Casa de Nossa Senhora da Aurora (casa nobre barroca comprida com as suas incontáveis janelas) e a Casa da Garrida (exemplo de casa de brasileiro, construída no final do século XVIII, com a obrigatória capela).

Ponte de Lima é, à semelhança da região onde está implantada, lugar de romarias, feiras e festas. A feira mais famosa é aquela que tem lugar junto à ponte às segundas-feiras, de quinze em quinze dias. Na carta de foral concedida a Pinte de Lima por D. Teresa já se referia a esta feira, o que faz dela a mais antiga feira documentada de Portugal. Outra das feiras mais conhecidas é a Feiras Novas, no segundo fim de semana de Setembro. 


Na véspera do dia de Corpo de Deus acontece uma das festas mais loucas, a Festa da Vaca das Cordas. Como nos explica a placa junto à estátua de um touro com ar rebelde na praça que triângula a Igreja Matriz, a Igreja da Misericórdia e a Biblioteca local, ao touro é dado um banho de tintol e depois este sai a correr estonteado (pudera!) até completar três voltas à Igreja Matriz acabando no areal junto ao rio, sempre rodeado de populares. Esta tradição tem quase quatro séculos e mostra que a afinal a tranquilidade do verde Minho também dá para uns momentos de loucura e desbunda à beira Lima.

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