Parque Florestal de Monsanto

O Parque Florestal de Monsanto é um enorme pedaço de natureza que corresponde a 10% da área total do concelho de Lisboa.

O pulmão verde da cidade não é, no entanto, uma obra natural. Pelo contrário. Instalado na Serra de Monsanto, os quase 1000 hectares que podemos hoje desfrutar em todos os sentidos foram criados por Decreto.

A Serra de Monsanto era quase desprovida de arvoredo, com excepção para a Mata de São Domingos e para a Tapada da Ajuda, sendo antes um lugar de searas, pastos de gado e pedreiras.

Embora já datassem de 1868 planos para arborizar o lugar, foi na década de 1930 que o engenheiro Duarte Pacheco, ministro do Estado Novo, determinou a criação do Parque Florestal de Monsanto. A Mocidade Portuguesa iniciou então a plantação de milhares de árvores. E o arquitecto Keil do Amaral foi o escolhido para o projectar.

O Aqueduto das Águas Livres, elemento icónico não só de Monsanto mas de toda a cidade de Lisboa, marcava já presença há séculos. Igualmente, o Palácio dos Marqueses de Fronteira, perto da Mata de São Domingos, reinava já em toda a sua monumentalidade. E o antigo Forte de Monsanto, Estabelecimento Prisional de Monsanto desde há décadas, que antes havia servido de linha defensiva, emprestou alguns dos seus reclusos para a empreitada de florestação.

A estes monumentos e equipamentos vieram a acrescentar-se outros no novo Parque.

Desde logo, diversos miradouros.

Como os miradouros dos Montes Claros, dos Moinhos do Mocho, do Penedo e da Luneta dos Quartéis, todos eles nas vertentes sul e oeste do Parque. As vistas que se obtém de Monsanto são privilegiadas, ora totalmente desafogadas ora pequenas nesgas abertas na vegetação. Daqui se avista toda a Lisboa, com o Tejo, em especial, bem perto.

A referência a “moinhos”, deve-se ao facto de este ter sido o tal local de searas e pastos. Embora nenhum deles esteja já em funcionamento, encontramos ainda alguns na paisagem.

Obras como a Casa de Chá e Jardim de Montes Claros e o Clube de Ténis são projectos de Keil do Amaral cuja preponderância persiste.

No âmbito da habitação, ao Bairro do Alvito, de 1937, veio juntar-se a construção do Bairro da Boavista, em 1943, do Bairro do Caramão, em 1945, do Bairro de Caselas, em 1947, e do Bairro da GNR, em 1958.

Apesar de o projecto inicial de Keil do Amaral não ter sido todo implementado, ao parque infantil do Alvito, cujas memórias de brincadeiras e aventuras no seu avião perdurarão pelo menos para quase todas as crianças lisboetas nascidas nos anos 70, vieram a juntar-se nos anos 90 o Parque Urbano e Recreativo do Alto da Serafina e o do Calhau, bem como a recuperação da Mata de São Domingos de Benfica.

Em resumo, o Parque Florestal de Monsanto, quase três vezes maior do que o Central Park de Nova Iorque, é um espaço de ar puro (ainda que rodeado de auto-estradas e vias rápidas), interacção com a natureza, paisagens de tirar o fôlego, trilhos para caminhadas e passeios de bicicleta, desportos e aventuras várias, parques infantis, piqueniques. Um lugar para famílias, casalinhos ou solitários. Um projecto modernista, com preocupações ecológicas e urbanísticas, em que a natureza e o recreio dão a mão e caminham lado a lado.

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