Valença

Valença é uma cidade única para os amantes de castelos e fortalezas. Como é o meu caso, já se vê. Juntamente com Elvas e Almeida é um exemplo maior de praça-forte com um centro histórico intra-muralhas bem conservado e cheio de vida que chegou intacto aos nossos dias.

Até ao século XIII a povoação era conhecida pelo nome Contrasta. O “contraste” dizia respeito à sua localização geográfica, situada no lado oposto da fronteira relativamente a Tui. D. Afonso III mudou-lhe o nome e inspirou-se igualmente na geografia: situada num vale, ficou Valença.

Mas antes de os reis de Portugal tomarem decisões na região já esta havia sido ocupada por outros povos. Na antiga estrada de Bracara Augusta para Astorga, via Tui, a passagem dos romanos por Valença tem aqui uma prova e testemunho evidentes: o marco miliário do imperador Cláudio que serviu de pelourinho à vila, ainda hoje localizado em frente à Igreja de Santo Estevão.

Vulnerável ao ataque e invasões por parte dos espanhóis vindos do outro lado do rio, era indispensável que se construísse aqui uma fortaleza.

E aí a temos, uma monumental fortaleza com duas praças-forte distintas unidas por uma ponte estreitíssima que sai pela Porta do Meio.

Aqui fica a principal fronteira terrestre de Portugal e uma coisa não mudou, os espanhóis continuam a invadir-nos. Valença cresceu e expandiu-se, mas o que move o visitante é adentrar nas suas muralhas e… comprar têxteis, lenços, toalhas. São aos magotes os espanhóis carregados de sacos das inúmeras lojas que ocupam o centro histórico de Valença. Um autêntico bazar.

Esqueçamos o comércio. Sigamos por um passeio pela história com paisagens fabulosas (mais umas) por companhia.

Apesar de a fortificação original de Valença datar já do século XIII, a maior parte das estruturas pelas quais caminhamos hoje são do século XVII. É impressionante a sua dimensão e a sua imponência sente-se ainda hoje.

O centro histórico é rodeado de muralhas com 5 quilómetros de perímetro e é não apenas um exemplo de boa preservação em Portugal, mas também de toda a Europa. Este distinto exemplo de arquitectura militar é composto por duas praças-forte, já se disse. A principal, a Praça, com sete baluartes, e a “externa”, a Obra da Coroada, com dois baluartes e três revelins e dois meio baluartes. A muralha dupla com fossos sempre diferentes em profundidade e largura e bastiões vários debruça-se, de um lado, sobre o Rio Minho e, do outro, sobre a cidade nova.

Pelo meio, na Praça, traçado medieval feito de ruas estreitas, na maioria preenchidas com edifícios de cor branca, embora outros revestidos a azulejo nas fachadas. Muitos excedem os dois pisos. E existem ainda diversos exemplares de casas abastadas com varandas em ferro e janelas com formatos ovais. E várias igrejas seculares. Para observar tudo isto há que recolher o olhar dos panos em exposição nas montras e até mesmo nas ruas, tarefa que não se apresenta de todo fácil. O turismo fronteiriço é um chamariz e, sem cinismo, o centro histórico de Valença vale a pena ser sentido da forma que cada um entender.

As vistas do topo das muralhas, por entre baluartes e canhões, são também elas próprias um monumento. O rio está logo ali em baixo, veem-se os campos planos férteis e, mais ao longe e do outro lado, avista-se a Catedral de Tui.

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