Da Cascata do Arado ao Poço Azul

O Poço Azul fica para lá da Cascata do Arado, um dos pontos altos de uma visita ao Gerês. Antes, porém, impõe-se uma paragem no Miradouro das Rocas, por onde se sobre por entre rochas até ao topo de um monte de granito em que chegamos a suspeitar que lá possamos encontrar uma fortaleza. O sítio seria ideal para isso, mas não, é apenas um lugar privilegiado para se perceber a vista larga do vale do rio Arado e da ondulação da Serra do Gerês.

Uma estrada de terra batida leva-nos até à Ponte do Rio Arado, onde à nossa esquerda podemos encontrar a cascata de mesmo nome. Toda esta zona envolvente ao rio, seja para cima da ponte ou para baixo, esconde segredos como lagoas cristalinas que apenas os mais aventureiros descobrem, ainda que por vezes com custos para a sua integridade física.

O trilho que aqui propomos, da Cascata do Arado ao Poço Azul, apesar de não estar oficialmente marcado não é difícil nem perigoso, são cerca de 8 quilómetros (ida e volta) agradavelmente percorridos em 1h 30m para cada lado, com início no parque de estacionamento para lá da Cascata do Arado (mais 2 quilómetros se optarmos por deixar o carro no Miradouro das Rocas). Desde logo a vista é fantástica e antecipa o que iremos viver nas próximas horas.

O cheiro a borrego é intenso e de imediato percebemos o porquê. Por sorte, um rebanho de cabras-monteses vagueava por aqui. Eram mais de 200 exemplares desta raça típica do Gerês, pertencentes a vários proprietários, mais um indício do espírito de comunidade que é ainda uma marca da região.

O caminho segue aberto, custoso em dias de mais calor, mas depois fica mais protegido pela vegetação. A primeira paragem obrigatória é no Curral da Malhadoura. É um lugar recatado, com uma fonte (repare-se a folhinha estrategicamente colocada para a água cair de forma ainda mais idílica) e uma enorme pedra com uma abertura, ideal para um piquenique à sombra. E tem uma casinha, de pedra – pois claro -, abrigo de pastores. Estas casas aninhadas nos penedos, com eles se confundindo, são um mimo e mais uma imagem pitoresca do Gerês.

Seguimos adiante e agora com a companhia de lindas borboletas de diversas cores. A primeira parte do percurso é muito fácil, por um estradão recto com um ou outro cruzamento que pouco engana. Passamos por uma edificação com um prado de cultivo murado, depois por uma moradia escondida na floresta e pouco depois iremos começar a descer até uma ponte sobre o rio do Conho. Aqui já há espaço para uma banhoca, mas não paramos. Nem a descida nem a posterior subida que nos faz atravessar o rio são especialmente difíceis ou cansativas. E mesmo que as pernas tremam um pouco após a subida, é bom guardar uma boa porção de ar para suspirar pela enorme paisagem do alto do vale. São belíssimas vistas para os penedos e fragas da Serra do Gerês, umas infinitas e outras mais próximas.

Tomamos a esquerda no trilho ao aviso de umas mariolas e agora seguiremos sempre a direito num caminho ora de terra ora de pedras, que continua sem ser difícil quer técnica quer fisicamente, bastando atenção para não tropeçar. Continuamos protegidos pelo arvoredo e vamos em direcção a um penhasco imenso. Começam a aparecer umas rochas enormes, deixando-nos curiosos pelo que poderão esconder. E começam a aparecer umas poças pequenas.

O Poço Azul está um pouco mais adiante.

Lindo. Bem encaixado na paisagem, a sua água é transparente e cristalina. Talvez mais para o verde, mas sem dúvida colorido.

Neste momento já só apetece mergulhar, e nem precisa de ser do alto da pedra onde por vezes (com mais água no rio) escorre uma pequena cascata. Mergulhamos, enfim. Mesmo sem estar à sombra, a água do Poço é gelada. Cai mesmo bem e é retemperadora. Deixamo-nos ficar, espraiados na natureza bruta. Só não se pense que o faremos sozinhos, afinal de contas é difícil guardar os bons segredos. Ainda assim, demoramo-nos e só depois empreendemos o mesmo delicioso caminho de volta.

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