Mirandela

Mirandela fica a meio caminho entre Vila Real e Bragança e é a capital da Terra Quente Transmontana. A sua situação geográfica foi decisiva para este epíteto e para a sua povoação desde tempos remotos e posterior desenvolvimento. Implantada a baixa altitude, mas com várias serras altas ao seu redor e o vale do Tua como epicentro, tanto o clima como a fertilidade das terras moldaram o seu carácter e a sua personalidade. Verões quentes e invernos frios fazem de Mirandela terra de fumeiro, a rainha das alheiras, mas também de oliveiras e azeite, para além de cereais e frutas.

É pouco a norte, a menos de 4 quilómetros do centro de Mirandela, junto ao Parque de Campismo Três Rios Maravilha, que os rios Tuela e Rabaçal se unem, dando origem ao rio Tua. E logo o Tua tem um grande momento, a passagem pelo seu maior centro urbano. Mirandela é bonita, uma cidade com a água sempre presente que acabou por se espraiar por ambas as margens do rio.

A Ponte Velha de Mirandela é provavelmente a sua maior imagem de marca. Sobre o Tua, é um tabuleiro longo, com cerca de 232 metros de comprimento, emoldurado por 20 arcos. De origem românica, embora o início da sua construção tenha sido mais tardio, provavelmente em 1514, foi objecto de várias remodelações ao longo dos séculos, tendo sido reconstruída no século XVIII. A elegância, porém, mantém-se. Na década de 1970 foi construída uma nova ponte, paralela à antiga, mas só na década de 1990 esta passou a ser uma travessia exclusivamente pedonal. E foi nesta mesma década que o Tua passou a estar acompanhado por um repuxo aquático, uma espécie de gêiser lançando água em direcção ao céu, a lembrar o Pâquis de Genebra.

O centro histórico de Mirandela começou por ser implantado na margem esquerda do Tua e por aí se desenvolveu. Os romanos já haviam andado pela região, mas foi em 1250 que o primeiro foral de Mirandela foi concedido por D. Afonso III e a primeira estrutura defensiva começou a ser construída. Mais tarde, D. Dinis mandou levantar muralha e, crê-se, construir um castelo. A construção de habitações ao longo dos tempos levou a que a muralha fosse sendo derrubada; no início do século XX já só restavam duas das quatro portas originais e hoje sobra apenas a Porta de Santo António, também conhecida como Arco Medieval, único indício do que terá sido a estrutura defensiva. Tanto cresceu Mirandela que a ideia exacta da sua configuração inicial é desconhecida. O castelo, por exemplo, crê-se, sem certeza, que terá existido no lugar ocupado pelo palácio senhorial dos Távoras no século XV. Primeiros grandes donatários da vila, em reconhecimento do apoio prestado ao Mestre de Avis, futuro D. João I, Mirandela tornou-se o bastião da família. O seu palácio, reconstruído no século XVIII e hoje lugar dos Paços do Concelho, é um dos maiores símbolos da cidade, distinguindo-se na perfeição mesmo ao longe.

Esta é uma parte mais elevada da urbe, onde está também a igreja matriz, construção relativamente recente sem especial graça. Para se chegar até ao coração do centro histórico há que vencer um breve desnível por ruinhas irregulares, num traçado tipicamente medieval. No casco antigo encontramos outros interesses, como o Solar dos Condes de Vinhais, de fachada comprida com parte alpendrada e brasão num pilar (uma espécie de pelourinho senhorial), muito degradado mas situado numa praça serena que acolhe ainda a Igreja da Misericórdia.

E Mirandela pode ainda ser considerada como a cidade-jardim, tantas são as suas zonas verdes. Desde logo, o Parque do Império, com caminhos floridos sob palmeiras e outras árvores frondosas e diversas esculturas. É um passeio muito agradável, e fica lado a lado com o Tua. O rio é vivido, não apenas para vistas, e para além dos meninos que por lá passeiam (e treinam) as remadas nas suas embarcações, é também possível dar um mergulho nas suas águas.

A praia fluvial de Mirandela, também conhecida como Parque Dr José Gama, tem um longo pedaço de frente ribeirinha com todas as comodidades, incluindo uma língua de areia e a possibilidade de se estender a toalha nos seus mais de 3 kms ajardinados. Ou seja, mais do que a diversão na água, temos nela um espaço multi-desportivo e de recreio. E na outra margem do Tua temos ainda à nossa disposição a Zona Verde da Ribeira de Carvalhais.

Já conquistados e a pensar tomar à letra a pequena quadra tradicional: “Mirandela / Mirandela… / Mira-a bem…/ Ficarás nela!”, imaginamos o que sairá do restauro e requalificação do enorme edifício da estação dos comboios de Mirandela. E, por fim, entramos fundo na cultura mirandelense e seguimos a conhecer o Museu da Oliveira e do Azeite. Instalado numa antiga moagem de farinha, a Moagem Mirandelense, parte da maquinaria industrial em exposição – um lagar de azeite de prensas hidráulicas com mais de 100 anos – veio de Vilas Boas, concelho de Vila Flor. Projecto do arquitecto Manuel Graça Dias, o espaço está muito bem adaptado a unidade museológica, com um curioso aproveitamento da luz e um mimo materializado no seu pequeno pátio exterior, ao qual não falta uma oliveira. Para além do património industrial, ficamos a conhecer o ciclo do azeite, as paisagens a ele ligadas, artefactos vários e seus usos – não apenas na gastronomia, mas também na indústria farmacêutica, cosmética, iluminação e aquecimento.

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