O Momento

Já tínhamos estado no topo do Cascade e já tínhamos saído de Yerevan e seguido para sul, supostamente com o Monte Ararat mesmo ao nosso lado. Supostamente porque, embora o sentíssemos, as nuvens teimavam em não o deixar ver. Mas sabíamos que ele nos acompanhava, um maciço de quase 40 kms (composto pelo Grande Ararat, com 5137 metros, e o Pequeno Ararat, com 3 896 metros) vai-se deixando ver aqui e ali, ainda que não o seu pico.

Conta a Bíblia, no seu Livro do Génesis, que desagradado com o comportamento da humanidade Deus escolheu Noé para construir uma arca e lá guardar a sua família e dois exemplares de cada espécie de seres vivos, um macho e uma fêmea, para que a terra fosse repovoada. Após o que se seguiu o dilúvio, chovendo por 40 dias e 40 noites, deixando a terra totalmente inundada por mais 150 dias. Até que, enfim, o sol raiou e as águas baixaram e a Arca de Noé se viu assente no cume do Monte Ararat.

(o Cafesjian, o centro de artes do Cascade, tem exposta uma curiosa e inspirada representação em escultura vertical de madeira da Arca de Noé)

Hoje em território da Turquia, o Ararat sempre foi parte da terra ancestral dos arménios. Montanha sagrada e omnipresente, a sua imagem é constante. Símbolo nacional, o Ararat está no brasão de armas, é nome de cognac, de cigarros, de restaurante, de tudo o que possamos imaginar e a sua montanha está ainda presente no carimbo de entrada no país.

No final de tarde do nosso último dia em Yerevan ainda não tínhamos percebido ao certo qual das muitas montanhas que envolvem a cidade seria com exactidão o Ararat.

Vislumbrámos, então, uma aberta. Ainda queríamos ver e conhecer mais em Yerevan, mas sem hesitar rumámos de novo ao Cascade e subimos rapidamente a sua escadaria interior rolante, sem fôlego para acompanhar a jovem corredora que subia e voltava a subir a escadaria exterior.

Até que quando chegámos lá acima tivemos igualmente o merecido prémio. Ali estava o Ararat descoberto com o seu pico nevado e aí realizámos toda a sua dimensão e magnificência. É tão grande, tão grande. Tão desproporcional em relação à cidade que dizer que domina a paisagem de Yerevan é dizer pouco. Inconfundível, é como se fosse um grande pai a guardar os seus filhos. Abençoados os que vivem para ver o Ararat.

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